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Silvia Simões

A cobra não mexeu, o terremoto não veio

Silvia Simões
Por Silvia Simões
08/09/2026 12h20 — em Silvia Simões

A COBRA NÃO MEXEU, O TERREMOTO NÃO VEIO… MAS O CALOR ESTÁ DE PÉ!

Manaus amanhece uma beleza, mas é só o sol tomar café que começa a rachar a moleira — e quem mais precisa de cuidado é quem já viveu muito

Por enquanto, a Cobra Grande continua quietinha.

O terremoto anunciado não veio.

E o amazonense, depois de toda aquela expectativa, voltou para a sua programação normal: acordar cedo, tomar café, reclamar do trânsito, enfrentar a correria, trabalhar, voltar para casa e perguntar se amanhã vai chover.

A vida segue. E segue quente. Muito quente.

Se depender do clima, a Cobra Grande pode continuar dormindo em paz, porque quem está se mexendo mesmo é o termômetro.

Manaus tem dessas coisas.

A cidade amanhece daquele jeito que engana qualquer cristão: céu bonito, temperatura agradável, aquele ventinho que faz a pessoa pensar:

— Hoje vai ser tranquilo!

Não vai.

É uma cilada meteorológica. O sol vai subindo devagarinho, como quem não quer nada, até chegar aquele momento em que o amazonense olha para o céu e pensa:

Pronto. O homem lá de cima esqueceu o ferro de passar ligado.

E aí começa o verdadeiro desafio.

O PERIGO NÃO FAZ BARULHO

Brincadeiras à parte, existe uma preocupação que merece toda a nossa atenção: o calor intenso e a desidratação , principalmente entre os idosos, crianças e pessoas que precisam passar muito tempo expostas ao sol.

O problema é que o calor nem sempre chega anunciando perigo. Não tem sirene. Não tem placa.

Não tem Cobra Grande balançando a cauda no Rio Negro. Ele simplesmente chega. E, em Manaus, pode chegar com força. Por isso, aquele idoso que acorda cedo, sai para resolver alguma coisa, vai ao mercado, à farmácia, ao banco ou simplesmente senta na calçada para conversar com os vizinhos precisa ter atenção redobrada.

A sede não deve ser o único sinal para beber água.

Com o passar dos anos, a percepção de sede pode diminuir. Por isso, é importante criar o hábito de beber líquidos ao longo do dia, mesmo antes de sentir muita sede.

Água deve virar companhia.

Água na garrafinha. Água na bolsa. Água na mesa. Água por perto.

Porque esperar a moleira começar a rachar para lembrar da hidratação não é uma boa estratégia.

E TEM OUTRA ARMADILHA: MANAUS AMANHECE FRESQUINHA

Esse talvez seja um dos maiores truques do clima manauara.

A pessoa acorda cedo e pensa:

— Hoje está até gostoso!

Sai de casa tranquila. Só que o sol também acordou. E quando ele resolve trabalhar, trabalha com dedicação. O que parecia uma manhã agradável pode se transformar, algumas horas depois, numa verdadeira sauna amazônica. Por isso, principalmente para idosos e crianças, é importante aproveitar os horários de menor calor para atividades externas sempre que possível , evitando exposição prolongada ao sol nos períodos mais quentes.

Roupa leve, ambiente ventilado, sombra e hidratação ajudam muito.

E se puder evitar aquela caminhada justamente quando o sol estiver parecendo uma churrasqueira suspensa no céu, melhor ainda.

OS IDOSOS MERECEM ATENÇÃO ESPECIAL

Cuidar dos nossos idosos não é exagero. É respeito. É carinho. É responsabilidade.

Muitas vezes, eles não reclamam. Dizem que está tudo bem.

— “Estou acostumado com esse calor.”

Só que estar acostumado não significa estar protegido.

Familiares e cuidadores podem ajudar criando uma rotina simples: oferecer água regularmente, observar se a pessoa está se alimentando e se hidratando adequadamente, manter o ambiente fresco e ficar atentos a sinais diferentes do habitual.

Se houver fraqueza intensa, tontura, confusão, desmaio, dor de cabeça forte, náuseas ou outros sintomas importantes relacionados ao calor , é hora de procurar atendimento médico.

Não é para esperar a Cobra Grande acordar.

Nem o terremoto.

É para cuidar enquanto está tudo aparentemente normal.

E AS CRIANÇAS? TAMBÉM PRECISAM DE CUIDADO

Criança não quer saber se o sol está de castigo. Quer brincar. Quer correr. Quer jogar bola. Quer ir para a rua. Por isso, cabe aos adultos controlar os horários, garantir hidratação frequente, procurar sombra e evitar exposição excessiva ao calor.

A criança pode estar tão entretida na brincadeira que esquece completamente de beber água.

E aí entra o adulto:

— “Meu filho, toma água.”

— “Não quero.”

— “Toma.”

— “Não estou com sede.”

“TOMA, QUE EU NÃO VOU DISCUTIR COM O SOL.”

É praticamente um diálogo oficial das famílias amazonenses.

O AMAZONENSE CONTINUA NA CORRERIA

No fim das contas, o terremoto não veio.

A Cobra Grande não se mexeu.

Nenhuma criatura misteriosa saiu do Rio Negro para confirmar as previsões.

E Manaus continua sendo Manaus.

O povo continua trabalhando, estudando, pegando ônibus, enfrentando trânsito, correndo atrás da vida e reclamando do calor — porque reclamar do calor também já faz parte do patrimônio cultural do amazonense. Mas existe uma diferença entre reclamar do calor e subestimá-lo.

O calor merece respeito. Principalmente quando estamos falando de quem tem mais dificuldade para perceber ou suportar os efeitos da desidratação: nossos idosos, nossas crianças e pessoas mais vulneráveis. Então, neste período de temperaturas elevadas, vale aquele conselho simples que não precisa de vidente, terremoto, Cobra Grande ou previsão sobrenatural:

BEBEU ÁGUA?

Se a resposta for “ainda não”, então está esperando o quê?

Levante, pegue sua garrafinha e beba.

Porque a Cobra Grande pode até continuar dormindo.

O terremoto pode continuar faltando ao compromisso.

Mas o calor de Manaus não costuma faltar ao trabalho.

E quando o sol resolve mostrar serviço, meu amigo...

é melhor estar hidratado, protegido e com a moleira inteira.

Porque em Manaus até o calor tem pressa. E quem ama, cuida.

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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