A internet abriu as portas para um mundo de conhecimento, oportunidades e comunicação. Mas, infelizmente, também escancarou caminhos perigosos para aqueles que se aproveitam da inocência de nossas crianças. A crescente preocupação com crimes sexuais envolvendo menores no ambiente digital exige uma reflexão urgente de toda a sociedade.
Por trás de uma tela, muitas vezes escondido em um perfil falso, pode estar alguém disposto a destruir a infância, a confiança e a dignidade de uma criança. A pornografia infantil, o aliciamento de menores e a exploração sexual pela internet não são apenas crimes: são agressões profundas contra seres humanos que ainda estão descobrindo o mundo.
E onde estão os pais, as autoridades e aqueles que têm a responsabilidade de proteger nossas crianças?
Não podemos esperar que uma tragédia aconteça dentro de casa para perceber que a internet também exige vigilância, diálogo e orientação. Pais e responsáveis precisam acompanhar o universo digital dos filhos, conhecer os aplicativos que utilizam, conversar sobre os perigos das redes sociais e, principalmente, construir uma relação de confiança para que a criança tenha coragem de pedir ajuda diante de qualquer situação suspeita.
Proteger não significa apenas proibir. Significa educar, orientar, acompanhar e estar presente. Uma criança precisa saber que nenhum adulto tem o direito de exigir fotografias íntimas, ameaçá-la, constrangê-la ou pedir segredo sobre conversas que provoquem medo ou desconforto.
Mas a responsabilidade não pode ser colocada exclusivamente sobre os ombros das famílias.
É hora de cobrar políticas públicas mais efetivas, leis rigorosas e fiscalização permanente. O poder público precisa fortalecer os mecanismos de investigação, ampliar a proteção às vítimas, investir na educação digital e responsabilizar os criminosos. As plataformas digitais também devem assumir compromissos concretos com a segurança dos menores, prevenindo abusos e colaborando com as autoridades dentro da lei.
Não basta lamentar os casos que chegam às manchetes. É necessário agir antes que outras crianças sejam vítimas. A prevenção precisa começar nas escolas, nas famílias, nas comunidades e nos espaços de decisão política.
A proteção da infância deve estar acima de disputas partidárias. Governantes, parlamentares, educadores, órgãos de segurança, profissionais de saúde e instituições de defesa dos direitos humanos precisam trabalhar juntos para construir uma verdadeira rede de proteção.
A criança não tem obrigação de conhecer todas as armadilhas do mundo digital. Essa responsabilidade é nossa.
Que os pais estejam mais atentos. Que as autoridades sejam mais firmes. Que os legisladores compreendam a urgência de aperfeiçoar os mecanismos de proteção e punição. E que a sociedade deixe de tratar esse assunto como uma preocupação distante.
Porque, quando uma criança é explorada, não é apenas uma família que sofre. É toda a sociedade que fracassa em sua missão de proteger os mais vulneráveis.
A infância não tem preço, não tem defesa própria diante de todos os perigos e não pode esperar pela próxima tragédia.
Proteger nossas crianças é proteger o futuro. E o futuro não pode ser entregue aos predadores da internet.
Quem cala diante da violência contra uma criança não pode dizer que está defendendo a infância. É preciso transformar indignação em ação, e ação em proteção.
Portal do Holanda
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Silvia Simões
Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]
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