Início Silvia Simões Harmonização Orofacial
Silvia Simões

Harmonização Orofacial

Silvia Simões
Por Silvia Simões
21/08/2026 14h26 — em Silvia Simões

A Odontologia não pode recuar diante de uma batalha que ainda está longe do fim.

Presidente do CFO tranquiliza cirurgiões-dentistas e anuncia que o Conselho utilizará todos os recursos jurídicos para defender a Resolução 198/2019

A decisão tomada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), no julgamento realizado em 19 de agosto, colocou novamente a Harmonização Orofacial no centro de uma disputa jurídica que se arrasta desde 2019. Mas uma coisa precisa ficar muito clara: o capítulo judicial dessa história ainda não terminou.

Em pronunciamento dirigido aos cirurgiões-dentistas, o presidente do Conselho Federal de Odontologia (CFO) adotou um tom de serenidade e procurou afastar qualquer clima de insegurança entre os profissionais. A mensagem foi direta: o Conselho vai utilizar os recursos e os instrumentos jurídicos cabíveis para defender a Odontologia e a atuação profissional dentro de sua área legal.

A Resolução CFO nº 198/2019 reconheceu a Harmonização Orofacial como especialidade odontológica e estabeleceu parâmetros para a formação e atuação dos profissionais. A própria norma afirma que os procedimentos devem ser realizados pelo cirurgião-dentista dentro de sua área de atuação . ( CFO )

Uma disputa que ultrapassou os consultórios

Desde a edição da resolução, entidades médicas questionam judicialmente a competência atribuída pelo CFO aos cirurgiões-dentistas na área da Harmonização Orofacial.

O conflito chegou à Justiça Federal e teve diferentes capítulos ao longo dos anos. Em decisões anteriores, a Justiça havia mantido a regulamentação, inclusive com manifestação favorável ao entendimento defendido pelo CFO. Em 2020, por exemplo, o TRF1 manteve decisão que havia negado pedido de suspensão da Resolução 198/2019. ( CFO )

Agora, em 2026, o cenário mudou com o julgamento da apelação. A 8ª Turma do TRF1 decidiu, por maioria, pela anulação da resolução. O CFO, entretanto, anunciou que pretende recorrer. ( Folha de S.Paulo )

E é justamente aí que está o ponto que precisa ser compreendido pelos profissionais: uma decisão judicial desfavorável em segunda instância não significa necessariamente o ponto final de uma controvérsia que ainda admite recursos.

A Odontologia precisa defender sua área com conhecimento e responsabilidade

O debate não deveria ser reduzido a uma disputa corporativa entre duas profissões.

Existe uma questão maior: quem define os limites de atuação profissional, quais são as competências legalmente atribuídas a cada categoria e como essas competências devem ser interpretadas diante da evolução científica e tecnológica da área da saúde?

É nesse terreno que a Odontologia precisa permanecer.

A defesa da Harmonização Orofacial não deve significar defesa de procedimentos realizados fora dos limites profissionais. Ao contrário: deve significar defesa de uma Odontologia qualificada, regulamentada, fiscalizada e comprometida com a segurança do paciente.

A própria regulamentação do CFO estabelece requisitos de formação e especialização. A Resolução 198/2019, por exemplo, disciplinou carga horária, conteúdos de formação, qualificação de docentes e critérios para reconhecimento da especialidade. ( CFO )

Não é hora de improvisar. É hora de união

O pronunciamento do presidente do CFO deixa uma mensagem importante para a categoria: não há espaço para pânico, improvisação ou desinformação.

O caminho agora é jurídico, institucional e técnico.

O CFO deverá apresentar os recursos cabíveis, enquanto os cirurgiões-dentistas precisam continuar acompanhando as determinações oficiais e respeitando rigorosamente os limites legais e éticos de sua profissão.

A defesa da Odontologia não será feita apenas nos tribunais.

Ela também acontece nas universidades, nos cursos de especialização, nos consultórios, nas entidades profissionais e, principalmente, na qualidade do atendimento oferecido à população.

A batalha não pode ser transformada em guerra entre profissões

Aqui está uma questão que merece ser destacada.

Medicina e Odontologia são profissões diferentes, com competências próprias e responsabilidades igualmente importantes na área da saúde. O paciente não ganha quando uma categoria tenta simplesmente desqualificar a outra.

O que precisa prevalecer é a lei, a ciência, a formação profissional e a segurança do paciente .

Por isso, defender a Harmonização Orofacial dentro da Odontologia não significa defender uma invasão de competências. Significa defender o entendimento de que o cirurgião-dentista, devidamente formado e habilitado, possui conhecimento específico sobre estruturas orofaciais e deve ter sua área profissional discutida à luz da legislação que regulamenta a própria Odontologia.

E esse debate ainda está aberto.

A última palavra ainda não foi dada

A decisão do TRF1 representa, sem dúvida, um revés para o Conselho Federal de Odontologia. Mas não encerra automaticamente toda a discussão jurídica.

O próprio CFO informou que irá recorrer e que adotará os instrumentos judiciais cabíveis para defender a especialidade e a atuação profissional. ( GC Mais )

Portanto, o momento exige serenidade.

Não é hora de abandonar a Harmonização Orofacial. É hora de defendê-la com argumentos, documentos, ciência, responsabilidade e dentro da democracia.

A Odontologia brasileira construiu sua história enfrentando desafios, ampliando conhecimento e incorporando novas tecnologias. A Harmonização Orofacial é hoje parte importante desse debate.

E se existe uma disputa jurídica sobre seus limites, que ela seja resolvida nos tribunais, com argumentos técnicos e jurídicos — e não com discursos de desqualificação profissional.

Porque uma coisa é certa: a Odontologia não pode abrir mão de defender suas competências. Mas deve fazê-lo exatamente como se espera de uma profissão da saúde: com responsabilidade, conhecimento e respeito à lei.

A sacada final

No fundo, a discussão não deveria ser sobre quem "ganha" ou "perde".

A verdadeira questão é se uma profissão regulamentada pode defender sua área de atuação quando surgem novas técnicas, novos conhecimentos e novas especialidades.

A resposta para essa pergunta ainda será construída pela Justiça.

Até lá, a orientação mais prudente é a mesma deixada pelo presidente do CFO: serenidade, união da categoria, respeito aos limites legais e confiança no devido processo judicial.

Japão alerta para possibilidade de novos terremotos após tremor de magnitude 5,7 deixar feridos
Portal do Holanda Vídeo
Mundo
Portal do Holanda
Japão alerta para possibilidade de novos terremotos após tremor de magnitude 5,7 deixar feridos
AGORA
portaldoholanda.com.br 1 de 12
1 / 12 Ler
Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!