A gigante chinesa Alibaba prepara uma mudança na forma como distribui seus modelos de inteligência artificial. Segundo pessoas a par da estratégia da companhia, a empresa pretende exigir uma fatia da receita obtida por quem explorar comercialmente a próxima versão do Qwen, sua família de modelos de código aberto. A medida deve ser anunciada nos próximos dias e ainda não havia sido divulgada publicamente.
O Qwen3.8-Max é um modelo de pesos abertos, ou seja, os arquivos que permitem rodar e adaptar o sistema ficam disponíveis para download por qualquer desenvolvedor. Até agora, a Alibaba cobrava apenas de quem usava seus modelos hospedados na própria nuvem da empresa, liberando o uso gratuito em data centers de terceiros. A nova cláusula de licenciamento mudaria esse cenário para operações comerciais de maior porte.
O caminho segue o exemplo da startup chinesa Moonshot, criadora do Kimi K3, cuja licença obriga empresas que faturam acima de determinado patamar com o modelo a firmar acordo comercial e repassar parte da receita. No caso da Alibaba, o percentual ainda não foi definido, já que as negociações continuam em andamento. A estratégia lembra o modelo "freemium" consagrado no Vale do Silício: oferecer o software de graça no início e cobrar pelo uso intensivo e por serviços adicionais, como suporte de otimização e acesso antecipado a novas versões.
O movimento mostra que os laboratórios chineses de IA, que surpreenderam o mercado ao lançar modelos abertos com desempenho próximo ao de concorrentes americanos fechados, começam a convergir para um mesmo modelo de negócio enquanto disputam espaço no mercado global. Ao mesmo tempo, a IA de código aberto ganha novos participantes nos Estados Unidos, com startups do setor lançando suas próprias versões abertas e prometendo modelos mais robustos em breve.



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