Por Laurie Chen
PEQUIM, 22 Set (Reuters) - A startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek estará entre as empresas que farão uma apresentação ao Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta semana sobre os riscos representados pela inteligência artificial, disseram duas fontes a par do assunto.
O Conselho de Segurança, composto por 15 membros, deve se reunir na quarta-feira para discutir IA e segurança internacional, semanas depois que vários líderes do setor de IA pediram uma desaceleração coordenada no desenvolvimento da tecnologia, alertando que ela pode em breve se aperfeiçoar por conta própria e escapar do controle humano.
O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, planeja fazer uma apresentação na reunião, na qual diplomatas também esperam a participação de representantes de alto escalão da Anthropic, informou a Reuters na semana passada.
A DeepSeek e outras empresas chinesas de IA, incluindo Moonshot, foram convidadas a fazerem apresentações, disse uma das fontes.
O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, não planeja comparecer, disse a fonte, alertando que os planos ainda são provisórios e podem mudar no último minuto.
DeepSeek e Moonshot não comentaram o assunto.
O Conselho de Segurança da ONU, encarregado de manter a paz e a segurança internacionais, reuniu-se pela primeira vez para discutir os riscos da inteligência artificial em 2023. Na ocasião, a China alertou que a tecnologia não deveria se tornar um “cavalo fora de controle”, e os Estados Unidos defenderam que ela não deve ser usada para censurar ou reprimir as pessoas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou os líderes mundiais na semana passada que o rápido avanço da IA representa riscos que não podem ser ignorados, colocando-o em desacordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, que argumentou que as salvaguardas existentes são suficientes e que a China se beneficiará das dúvidas lançadas sobre o desenvolvimento da IA.
A mídia estatal chinesa rejeitou os apelos por uma desaceleração no desenvolvimento da IA, classificando-os como provenientes de um “manual da Guerra Fria”, com o objetivo de preservar o domínio de Washington em tecnologia de ponta e excluir Pequim do sistema global de governança da IA.
Ao contrário dos líderes de empresas pioneiras dos EUA, como OpenAI e Anthropic, os chefes das principais empresas chinesas de desenvolvimento de modelos de IA raramente expressam publicamente a possibilidade de que sistemas de IA cada vez mais capazes possam enganar os seres humanos, escapar ao controle ou causar danos catastróficos.
Eles também permaneceram em grande parte em silêncio sobre esses riscos desde que o debate se intensificou nos EUA neste mês.
Autoridades de alto escalão dos EUA e da China concordaram em realizar novas negociações sobre segurança em IA, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na segunda-feira, após uma reunião realizada antes das conversas programadas entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, no final desta semana, em Washington.
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