Por Diana Novak Jones e Jonathan Stempel e Nathan Frandino
OAKLAND, CALIFÓRNIA, 25 Ago (Reuters) - O diretor executivo do Instagram, Adam Mosseri, deve depor nesta terça-feira em um julgamento que visa apurar se a Meta projetou o Instagram e o Facebook para causar dependência em crianças, sem considerar a devida segurança delas.
Mosseri é uma testemunha central no processo movido por 29 Estados dos EUA, em um caso considerado por especialistas como o maior teste jurídico até agora sobre os efeitos das redes sociais em usuários jovens.
Quatro Estados -- Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey -- acusaram a Meta de projetar as plataformas para viciar jovens usuários, alimentando ansiedade, depressão e até mesmo suicídio, ao mesmo tempo em que enganava os consumidores quanto à sua segurança.
Todos os 29 Estados afirmam que a Meta violou a lei federal ao coletar e utilizar indevidamente dados pessoais de crianças menores de 13 anos enquanto elas usavam as plataformas.
Os Estados indicaram que poderiam buscar quase US$200 bilhões em multas.
A Meta rejeitou as acusações de que teria como objetivo viciar crianças em busca de lucro e afirmou que suas pesquisas não mostraram nenhuma ligação clara entre o uso das redes sociais por adolescentes e a falta de bem-estar.
O depoimento esperado de Mosseri foi confirmado pelo gabinete do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta.
O julgamento no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, deve se estender por grande parte do mês de setembro.
Espera-se que os jurados emitam um veredito consultivo. A juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers decidirá se a Meta é responsável e, em caso afirmativo, determinará eventuais multas civis e mudanças no Facebook e no Instagram.
Mosseri assumiu a direção do Instagram em 2018.
Em fevereiro, ele prestou depoimento em um julgamento em Los Angeles, no qual um júri ordenou que a Meta e o Google, da Alphabet, pagassem US$6 milhões a uma mulher de 20 anos que afirmou ter se tornado viciada no Instagram e no YouTube ainda criança. Os jurados consideraram a Meta e o Google negligentes no projeto de suas plataformas.
Mosseri contestou as alegações de que o Instagram não se importava com a segurança das crianças e defendeu suas escolhas de design contra acusações feitas por funcionários da empresa de que seus recursos eram prejudiciais. Ele afirmou que os produtos e as políticas do Instagram evoluem e que “tentamos nos concentrar nas questões mais importantes”.
No início deste mês, um juiz do Novo México ordenou que a Meta pagasse US$567 milhões para tratar da saúde mental de adolescentes, depois que o procurador-geral daquele Estado classificou suas plataformas como um incômodo público.
O Tennessee também está processando a Meta, apresentando alegações semelhantes sobre o Instagram, em um processo em andamento em Nashville.
(Reportagem de Diana Novak Jones, em Chicago, e Jonathan Stempel, em Nova York; reportagem adicional de Nathan Frandino, em Oakland, Califórnia)



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