Por Crispian Balmer
VENEZA, Itália, 10 Set (Reuters) - Um documentário que traça a trajetória do fundador da marca de moda Diesel, Renzo Rosso, estreou nesta quinta-feira no Festival de Cinema de Veneza, tornando-se uma das primeiras obras com assistência de inteligência artificial a testar o lugar dessa tecnologia no cinema mainstream.
Dirigido por Francesco Carrozzini, “Be Brave” combina entrevistas reais e imagens de arquivo com vídeos gerados por IA tão convincentes que os espectadores provavelmente terão dificuldade em perceber que muitas sequências não são reais.
A preocupação com o impacto da IA na criatividade e nos empregos na indústria do entretenimento tem pairado sobre Veneza, com vários cineastas e atores, incluindo George Clooney, alertando para os riscos representados pela tecnologia em rápida evolução.
RISCO
O produtor de “Be Brave”, Lorenzo Mieli, reconheceu essas preocupações, mas afirmou que a indústria precisa se envolver com a IA em vez de rejeitá-la de imediato.
“Precisamos regulamentá-la, controlá-la, impedir a exploração e evitar o desaparecimento de profissões. Mas também precisamos entendê-la muito bem”, disse ele a jornalistas, acrescentando que espera que, no fim das contas, a tecnologia se torne apenas mais uma ferramenta artística.
Rosso, que cresceu na zona rural do nordeste da Itália, transformou a Diesel de uma pequena empresa de jeans em uma das marcas mais reconhecidas do mundo da moda, estabelecendo uma reputação como empresário que prosperou com inovações ousadas e assumindo riscos.
“Tive uma vida bem louca. Fiz algumas coisas incríveis. (Mas) não estava interessado em fazer um filme sobre minha vida, nem em contar a todo mundo como sou incrível ou legal”, disse Rosso.
No entanto, descrevendo-se como um entusiasta da tecnologia, ele disse que abraçou a ideia do documentário quando soube que ele contaria com a inteligência artificial.
“Pensei: uau. Esse sou eu”, disse ele. “Gosto de fazer as coisas antes de todo mundo”, acrescentou, lembrando que foi um dos primeiros empreendedores italianos a adotar ferramentas como aparelhos de fax e comércio eletrônico.
INFÂNCIA
O filme recria períodos da vida de Rosso dos quais ainda não existem imagens, incluindo cenas de sua infância.
“Não havia imagens minhas de quando eu era pequeno”, disse ele. “Fiquei com lágrimas nos olhos ao me ver falando quando era criança.”
Carrozzini disse que a IA foi usada em todo o documentário, inclusive nas cenas em que o Rosso mais velho aparentemente aparecia em carne e osso. “Nenhum único quadro do Renzo foi filmado para este documentário”, disse ele.
No entanto, entrevistas com nomes como a editora de moda Anna Wintour e o estilista John Galliano são conversas reais filmadas, com cenários estilizados ou retocados como pano de fundo.
Rosso rejeitou as sugestões de que a tecnologia acabaria substituindo designers e artistas.
“A criatividade não é, de forma alguma, substituída pela máquina”, disse ele. “Os seres humanos continuam sendo fundamentais.”
“Be Brave” está em exibição fora de competição no Festival de Cinema de Veneza, que termina no sábado.



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