Por Courtney Rozen
WASHINGTON, 1 Set (Reuters) - Os Estados Unidos pressionarão os membros do G20 a adotarem uma abordagem de não intervenção na regulamentação da inteligência artificial e a evitarem a criação de novas regras para a tecnologia, de acordo com um discurso preparado ao qual a Reuters teve acesso.
A defesa da posição vai ocorrer em um encontro entre gigantes do setor e ministros de Comércio do grupo que tem início nesta terça-feira no estado norte-americano da Carolina do Norte.
O consultor de tecnologia dos EUA, Michael Kratsios, que está coorganizando a reunião de dois dias, defenderá que os países adotem os “Princípios da Carolina”, de acordo com uma cópia de seu discurso preparado, à qual a Reuters teve acesso.
Os países que aderirem concordam em “reservar novas regulamentações para considerações inéditas” ao elaborarem regras para a IA. Eles também investirão em “pesquisa fundamental para acelerar descobertas” e fortalecerão as oportunidades comerciais para novas tecnologias, de acordo com o discurso preparado.
Kratsios dirá ao grupo que “os formuladores de políticas não precisam abordar cada inovação isoladamente e não devem tratar toda tecnologia emergente como um problema político inédito”, de acordo com uma cópia de seu discurso preparado, à qual a Reuters teve acesso.
As empresas norte-americanas OpenAI e Anthropic, duas das maiores empresas de IA do mundo, se beneficiariam da ausência de regulamentação. Exigências governamentais podem prejudicar os lucros do setor se retardarem o lançamento de novos modelos ou levarem as empresas a alterarem o desempenho de seus produtos para atenderem a preocupações de segurança.
Os líderes do G20 estão se reunindo em um momento crucial no desenvolvimento do setor de IA e no debate global sobre como regulá-lo, ao mesmo tempo em que os EUA enfrentam uma ameaça crescente da China pela supremacia em IA.
Um painel das Nações Unidas alertou recentemente que os avanços da IA estão ultrapassando o entendimento científico e as políticas governamentais. Eventos recentes, incluindo um ataque desencadeado por um agente de IA da OpenAI que escapou do controle e comprometeu a infraestrutura da empresa de IA Hugging Face, aumentaram as preocupações sobre até que ponto as principais empresas do setor estão monitorando os testes de seus produtos. Agentes de IA são programas que funcionam com supervisão humana mínima.
LÍDERES DO SETOR
O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, se dirigirá aos ministros por videoconferência, informou um porta-voz do Departamento de Comércio dos EUA, em substituição à presidente da empresa, Dina Powell McCormick. O cofundador do Google DeepMind, Demis Hassabis, também foi adicionado à lista de palestrantes que se dirigirão aos ministros por videoconferência, informou um porta-voz do Google na segunda-feira.
A Reuters havia informado anteriormente que o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, e seu colega na Nvidia, Jensen Huang, se apresentarão separadamente na quarta-feira perante os delegados com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que também está organizando a reunião.
Os EUA planejam que o presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, e o investidor de risco e ex-consultor de IA da Casa Branca, David Sacks, falem aos participantes ao vivo por videoconferência nesta terça-feira.
Os EUA vão pressionar os países membros a não criarem novas organizações regulatórias para supervisionar o desenvolvimento da IA, disse uma autoridade da Casa Branca.
A reunião faz parte de uma série de encontros que ocorrerão nos próximos meses em cidades dos EUA, como preparação para a cúpula de líderes do G20 em Miami, em dezembro.
EUA VS CHINA
Os modelos abertos chineses de IA, sistemas com elementos centrais acessíveis ao público, estão se tornando cada vez mais capazes quando comparados aos sistemas proprietários de gigantes norte-americanos da IA, como Anthropic e OpenAI. Os modelos abertos da China estão ganhando espaço entre as empresas norte-americanas, o que também representa um risco potencial à segurança caso os líderes do país decidam interferir.
“Isso aumentou a urgência para que este governo garanta que o resto do mundo permaneça dentro do ecossistema tecnológico norte-americano e não busque alternativas”, disse Vivek Chilukuri, pesquisador de tecnologia e segurança nacional do Center for a New American Security.
A Embaixada da China em Washington não respondeu a um pedido de comentário da Reuters sobre a participação na reunião na Carolina do Norte.
Autoridades canadenses devem participar, disse um porta-voz do governo canadense, acrescentando que a delegação defenderá que os países equilibrem a inovação com “a confiança e a segurança públicas”. Os EUA e o Canadá estão envolvidos em uma guerra comercial, iniciada pelo presidente dos EUA.



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