Uma mudança determinada pelo Banco Central começou a valer nesta semana e deve tornar mais eficiente a devolução de dinheiro roubado em golpes aplicados pelo Pix, um tipo de fraude que também tem feito vítimas em Manaus, com casos recentes envolvendo QR Code trocado e falsas centrais telefônicas de banco. A partir de agora, as notificações de fraude enviadas entre instituições financeiras passam a indicar em qual etapa da cadeia de transferências o dinheiro está, informação que antes não acompanhava o aviso.
Até então, o rastreamento de um golpe parava, na prática, na primeira conta que recebia o valor desviado. Como golpistas costumam pulverizar o dinheiro em várias contas de passagem em poucos minutos, grande parte dos recursos escapava do alcance do mecanismo de devolução. Com a nova camada de informação, o banco que recebe a notificação consegue reconstruir melhor o trajeto do valor e bloquear contas usadas para distribuir o dinheiro roubado, mesmo quando ele já passou por vários destinos.
A mudança é parte do chamado MED 2.0, o mecanismo especial de devolução do Pix que já funciona em produção desde maio e permite travar não apenas a conta que recebeu o golpe diretamente, mas também as contas seguintes que receberam parte do valor. Segundo o Banco Central, a novidade não altera o sigilo bancário nem a rotina de quem usa o Pix no dia a dia: o rastreamento só é acionado depois que a vítima formaliza uma contestação no aplicativo do próprio banco.
Quem for vítima de golpe tem até 80 dias, contados da transferência, para pedir a devolução pelo aplicativo do banco, prazo que passou de 30 para 80 dias em setembro. A recomendação de especialistas é agir o mais rápido possível, guardar comprovante da transferência e qualquer mensagem trocada com o golpista, e registrar boletim de ocorrência, já que a devolução depende de o dinheiro ainda estar disponível nas contas envolvidas e pode ser parcial ou não ocorrer.
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