Por Lawrence Delevingne e Elizabeth Howcroft e Tom Wilson
4 Mai (Reuters) - World Liberty Financial, a empresa de criptomoedas co-fundada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus filhos, disse nesta segunda-feira que entrou com um processo de difamação no país contra o empresário Justin Sun, um dos principais apoiadores do empreendimento.
A World Liberty publicou uma cópia do processo na rede social X, no qual acusa Sun de lançar uma "campanha de difamação pública". A companhia alegou que Sun transferiu indevidamente alguns de seus tokens WLFI que vêm com direitos de voto e governança para a bolsa de criptomoedas Binance e, separadamente, apostou que o valor de mercado da WLFI cairia, o que é conhecido como venda a descoberto. Isso foi parte de um esforço coordenado para empurrar o preço de mercado do token para baixo, depois que as negociações públicas começaram em setembro, alega o processo.
"Justin Sun se envolveu em uma campanha difamatória para queimar a reputação da World Liberty Financial. Ele sabia que suas alegações eram falsas e as fez de qualquer maneira para prejudicar os detentores de tokens WLFI", disse Zach Witkoff, presidente-executivo da World Liberty, em um texto separado no X nesta segunda-feira.
Sun disse à Reuters: "O suposto processo por difamação que a World Liberty anunciou hoje no X não passa de um golpe de relações públicas sem mérito. Mantenho minhas ações e espero derrotar o caso no tribunal."
Em abril, Sun processou a World Liberty, dizendo que a empresa havia congelado ilegalmente os tokens que ele havia comprado. Sun disse que a World Liberty instalou secretamente ferramentas para impedir a venda de seus tokens depois que eles se tornaram negociáveis em setembro de 2025. Nesse processo, Sun negou ter vendido a descoberto o token da WLFI.
Na ação judicial desta segunda-feira, a World Liberty disse que sua capacidade de congelar tokens havia sido divulgada no prospecto.
O token da World Liberty acumula queda de cerca de 72% desde que começou a ser negociado em 1º de setembro. A participação de Sun, de 4 bilhões de tokens na World Liberty, vale atualmente cerca de US$264 milhões.
RUPTURA
A guerra de palavras e ações judiciais entre a World Liberty e Sun é uma reversão acentuada de um relacionamento anteriormente positivo.
O apoio inicial da Sun à World Liberty no final de 2024 e início de 2025, quando ele comprou US$45 milhões em seus tokens e foi nomeado consultor do empreendimento, foi fundamental para fazer o projeto decolar, informou a Reuters.
Eric Trump, cofundador da World Liberty e filho do presidente norte-americano, descreveu Sun como "um grande amigo e um ícone no espaço de criptomoedas" no X em 16 de junho.
Em 1º de setembro, data em que o token começou a ser negociado publicamente, Sun escreveu: "Eu realmente acredito que este será um dos maiores e mais importantes projetos de criptomoedas."
A World Liberty é a mais proeminente de várias empresas de moedas digitais lucrativas cofundadas ou controladas pela família Trump, que já ganhou mais de US$1 bilhão com a companhia, de acordo com uma análise da Reuters. Os estatutos da World Liberty estabelecem que 75% da receita das vendas de tokens da WLFI é encaminhada para os Trump.



