Estudantes que recorrem a chatbots de inteligência artificial para escrever redações e montar resumos terminam 20 pontos atrás na avaliação internacional — uma distância que os próprios pesquisadores equiparam a um ano letivo inteiro. O número aparece no Programa Internacional de Avaliação de Alunos, o Pisa, divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com base em 760 mil jovens de 15 anos em 91 países.
O atalho tecnológico não age sozinho. Nos países da organização, os adolescentes relatam 3,4 horas diárias diante das telas apenas para lazer, além de mais de três horas voltadas ao estudo. A chamada distração digital aparece associada a notas mais baixas em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados, e o levantamento observa que o avanço do tempo de tela e o encolhimento da leitura por prazer caminham lado a lado.
O efeito acumulado aparece nas notas. Em leitura, a pontuação máxima despencou de 501 pontos em 2012 para 466 em 2025, o pior resultado deste século e uma perda de 35 pontos: na prática, o adolescente de hoje lê no nível que antes se esperava de um aluno um ano mais novo. A curva também é de queda em ciências, de 506 pontos em 2009 para 486, e em matemática, de 502 para 469.



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