O Sisu reúne vagas de instituições que escolhem seus alunos com base no desempenho no Enem. A edição 2019 do exame, o primeiro sob responsabilidade do governo Jair Bolsonaro, registrou erro em milhares de notas, e candidatos ainda enfrentaram uma série de problemas no Sisu.
A convocação da lista de espera, acessada por quem não passou na primeira chamada, era prevista para esta sexta-feira (7), segundo cronograma da pasta comandada por Abraham Weintraub.
O MEC, entretanto, ou não encaminhou a lista ou enviou uma relação errada para ao menos seis instituições federais, que precisaram adiar a convocação dos alunos e mudar o calendário de ingresso. Nesta etapa do processo, o MEC encaminha a lista para as universidades, responsáveis pela convocação.
O problema atingiu, ao menos, a UFSCcar (Universidade Federal de São Carlos), UFPel (Federal de Pelotas), UFOB (Oeste da Bahia), UFRPE (Rural de Pernambuco), UFCG (de Campina Grande) e o IFPI (Instituto Federal do Piauí).
No caso da UFCG, a instituição informou que foi avisada pelo MEC que a lista divulgada na quinta-feira (6) à instituição não deveria ser utilizada. A universidade adiou os processos de autodeclaração e cadastramento de ingressantes, previstos para segunda-feira (10).
A UFOB também divulgou a lista na quinta, às 19h30, no mesmo dia em que a recebeu do MEC. Em nota, a universidade informou nesta sexta que também recebeu recomendação do ministério para "esperar a lista de espera definitiva que ainda será disponibilizada".
Em nota divulgada em seu site, a UFRPE informou que recebeu do MEC a informação de que "problemas técnicos (...) impossibilitaram a disponibilização dos resultados". A previsão da federal é que os resultados sejam divulgados na segunda-feira.
O MEC divulgou na manhã desta sexta que as convocações a partir da lista de espera deveriam ocorrer a nesta sexta-feira (7). Mais tarde, um texto no site da pasta com essa informação foi retirado do ar (ainda é possível encontrar sua referência na busca do Google).
Após questionamento, o MEC divulgou nota em que confirma a divulgação da lista para segunda-feira (10). O ministério não explicou os erros enfrentados pelas instituições e, apesar de reclamações nas redes sociais, também não prestou esclarecimentos aos candidatos.
Weintraub chegou a dizer que o Enem 2019 havia sido o melhor de todos os tempos, mas no dia seguinte assumiu o erro nas notas. O ministro também minimizou erros no Sisu e chegou a atribuir reclamações a supostos integrantes de partidos de esquerda.
O Sisu 2020 acumula erros. As inscrições no sistema abriram em 21 de janeiro já com falhas. Além de lentidão, candidatos recebiam mensagens equivocadas informando que o prazo havia terminado.
Depois, candidatos reclamaram que o sistema apresentava participantes aptos nas suas duas opções de curso e, com isso, as notas de corte parciais estariam elevadas de modo exagerado.
Em edições anteriores, o sistema informava que a nota do participante não era considerada no cálculo da nota de corte da segunda opção. Depois de negar que houvesse erros, o MEC divulgou comunicado em que defendeu o novo formato.
Participantes do Enem ainda enfrentaram um novo problema, no dia 29 de janeiro, também com a lista de espera. Candidatos que haviam se inscrito em apenas uma opção de curso, ao invés das duas possíveis, não conseguiam se inscrever na lista de espera -a falha foi resolvida no mesmo dia.
A divulgação da lista de aprovados chegou a ser barrada pela Justiça por causa da divulgação de notas do Enem com erros. O governo Bolsonaro, entretanto, conseguiu reverter a decisão e os resultados foram liberados.
