Um dos artistas mais controversos do cinema mundial, Tinto Brass morreu aos 93 anos. A morte foi revelada pela família do cineasta italiano à imprensa local. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em Milão, na Itália, em 1933, Giovanni Brass adotou o nome artístico Tinto ainda jovem, como homenagem ao pintor maneirista Jacopo "Tintoretto" Robusti, e começou a trabalhar com cinema na Cinemateca de Paris durante o período mais agudo da Nouvelle Vague.
O primeiro longa-metragem dirigido por Brass foi Quem Trabalha está Perdido ( Até o Fim do Mundo ), de 1963. Nos anos seguintes, ele ficou famoso por misturar erotismo, comédia e personagens teatrais em seus trabalhos, como O Bordel de Paprika e Todas as Mulheres Fazem , em um estilo que alcançaria seu ápice em 1979, com Calígula , seu título mais infame.
O longa, estrelado por Malcolm McDowell ( Laranja Mecânica ), Peter OToole ( Lawrence da Arábia ) e Helen Mirren ( Terra da Máfia ), causou rebuliço internacional por suas cenas explícitas de sexo e violência. Apesar de historicamente responsabilizado pelo resultado, Brass renegou o filme desde seu lançamento, acusando interferência do estúdio.
As cenas explícitas de Calígula foram filmadas por Bob Guccione, criador da revista erótica Penthouse , sem aprovação do diretor ou do roteirista Gore Vidal. Narrando a ascensão do imperador romano titular, o longa teve sua exibição proibida no Brasil durante a ditadura militar. O filme também causou polêmica no Reino Unido, com cópias sendo apreendidas em 1980 por seu conteúdo considerado pornográfico.
Nos anos seguintes, ele seguiu trabalhando intensamente, dirigindo e atuando em produções como O Homem que Olha , de 1994, e A Pervertida , de 2000.
Em 2023, ele retomou seu trabalho em Calígula , lançando um corte final que eliminou as cenas de sexo explícito para reconfigurar o filme como o drama histórico originalmente planejado por ele e Vidal.
Brass deixa a esposa, a atriz Caterina Varzi, e dois filhos, Bonifacio e Beatrice Brass.
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