SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou nesta quinta-feira (27) que definirá em setembro se as voltas nas escolas na capital paulista voltam neste mês. Segundo inquérito sorológico, 18,3% dos estudantes da rede municipal já possuem anticorpos contra coronavírus. Covas afirmou que a rede municipal está preparada para voltar apenas no ano que vem, se a área da saúde definir. Após a primeira fase do inquérito sorológico, Covas já havia dito que as aulas não voltariam em setembro, possibilidade aberta pelo governo João Doria (PSDB) para reforço. No início do mês, o governador anunciou que a retomada das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas do estado só ocorreria a partir do dia 7 de outubro, quase um mês após a data inicialmente prevista pelo chamado Plano SP, porque as condições impostas para a retomada do ensino presencial não foram cumpridas. Agora, a decisão na capital deverá ser tomada após a terceira fase do inquérito sorológico para estudantes, que será feita por volta da segunda quinzena do mês. Estudantes de escolas privadas e estaduais na cidade também serão incluídas. "A decisão de retorno ou não é da área da saúde. A partir do momento que a área da saúde decidir, vale para a rede municipal, privada e estadual. A rede municipal está preparada para qualquer que seja a decisão, seja para retomar neste ano, seja retomar no ano que vem", disse. Segundo o inquérito sorológico, a estimativa é que mais de 123 mil estudantes (18,3%) tenham anticorpos para a doença. Comparando com a fase anterior do inquérito sorológico, houve um aumento da taxa de prevalência, que antes era de 16,1% (108 mil crianças e adolescentes). Covas afirmou que ainda não é possível saber se há uma tendência de alta ou não entre os estudantes. "Esse aumento de 16,1% para 18,3% pode ser uma tendência de aumento ou que estamos operando na mesma faixa. Por isso, só o terceiro inquérito vai confirmar se se trata de um aumento ou se é o mesmo número", disse Covas. O estudo mostra que 69,5% dos estudantes são assintomáticos e 26,3% convivem com idosos em casa, o principal grupo de risco para o coronavírus. O inquérito foi feito com 6 mil alunos. De acordo com o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, a pesquisa passará a ser feita agora com alunos das escolas particulares e estaduais na cidade de São Paulo. A mais atingida é a classe D e E, que tem prevalência acima da média, de 19,5%. Também foi apresentado inquérito sorológico para adultos, onde foi mantida a prevalência de 11% da população com anticorpos. Covas ressaltou a maior incidência entre os pobres e a estabilidade mesmo com a reabertura. "Se por um lado há a confirmação dessa tendência do coronavírus, que jogou luz sobre a desigualdade na cidade de São Paulo, há também uma certa confirmação de tendência que é a manutenção do índice de prevalência em 11%. O que reforça que a prefeitura começou a promover flexibilização aqui na cidade, as pessoas estão mantendo a preocupação, o controle e o respeito às normas sanitárias e a gente tem conseguido reabrir sem um segundo pico da doença na cidade de São Paulo", disse o prefeito Bruno Covas.