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Quem é Michael B. Jordan, que ganhou o Oscar de melhor ator por Pecadores

Um dos primeiros papéis de Michael B. Jordan foi uma breve participação no episódio 7 da 1ª temporada de Família Soprano. Aos 12 anos, ele interpretava um garoto que provocava um jovem Tony Soprano em uma cena de flashback. Vinte e sete anos depois, o astro transformou aquela que começou como uma carreira tímida na TV em uma série de papéis de destaque no cinema - em que foi de personagens como o cultuado vilão Eric Killmonger, de Pantera Negra, aos gêmeos Fumaça e Fuligem, em Pecadores, que renderam sua primeira indicação ao Oscar - e sua vitória.

Na noite deste domingo, 15, ele desbancou Wagner Moura e outros fortes concorrentes e ganhou o Oscar de Melhor Ator.

Hoje aos 39 anos, Michael B. Jordan tem a carreira marcada pelas parcerias de sucesso com o diretor Ryan Coogler. A frequente colaboração, que já rendeu sucessos de bilheteria e crítica e atestam a versatilidade da dupla, se repete no longa com 16 indicações ao prêmio da Academia.

Mas antes de chegar lá, Michael Bakari Jordan, nascido na Califórnia (EUA) em 9 de fevereiro de 1987 e criado em Nova Jersey pelos pais, Donna e Michael, começou a carreira de forma discreta como modelo infantil. Após aquela primeira participação em Sopranos, em 1999, tomou gosto pela atuação e ganhou mais destaque quando interpretou um traficante adolescente em The Wire, em 2002.

O papel abriu portas para que emendasse o trabalho na novela All My Children entre 2003 e 2006, período em que se formou na Newark Arts High School. A consolidação veio aos poucos nos anos seguintes, com inúmeras participações em hits da TV americana como CSI, Cold Case, Burn Notice e Lei & Ordem, até ser escalado para interpretar o quarterback Vince Howard na cultuada Friday Night Lights.

Transição para o cinema

O ponto de virada de Michael B. Jordan para o cinema coincide com sua primeira colaboração com Coogler. Um pequeno filme independente lançado no Festival de Sundance de 2013, de onde saiu vencedor dos prêmios de júri e crítica, se tornou um sucesso que colocou os dois diante dos holofotes mundiais.

Fruitvale Station - A Última Parada conta a história verdadeira de Oscar Grant, um jovem de 22 anos que foi morto pela polícia em 2009 na estação de trem de Fruitvale, em Oakland. O filme, além de denunciar a brutalidade policial, o faz com uma perspectiva íntima da vida de Grant e de sua família, e atestou que Jordan estava mais do que pronto para ser protagonista.

"A atuação é uma jornada solitária, com muitos nãos e muitas dúvidas no início", contou o ator em entrevista ao New York Times, em dezembro de 2025. "Em um momento crucial, quando eu estava questionando e duvidando de mim, [Ryan Coogler] me disse: 'Mike, eu acredito que você é um astro de cinema e quero que todos vejam isso também'. Isso me deu a confiança da qual precisava para transformar isso em realidade."

O drama, é claro, foi a primeira das muitas parcerias que se consolidariam na década seguinte. Creed: Nascido para Lutar, depois do fiasco do Quarteto Fantástico de 2015 dirigido por Josh Trank (em que interpretou Johnny Storm), levou a dupla ao sucesso comercial blockbuster, posteriormente reforçado com Pantera Negra e testado em novos territórios com o terror vampiresco.

"Killmonger é o único personagem que representa plenamente uma perspectiva afro-americana", contou Coogler ao Times. "Quando ele aparece no filme, você sente uma mudança. Ele fala do jeito que fala e se veste do jeito que se veste, entende? Ele instantaneamente se torna um símbolo dessa ideologia que desafia os outros personagens."

A esta altura, mesmo após uma década de trabalhos juntos, a confiança desenvolvida não fazia as novas empreitadas serem menos desafiadoras.

"Fiquei empolgado e com medo. Eu aprendi a confiar nele. Ele não diz coisas em que não acredita. Então, quando me vende uma ideia, eu sei que ele já pensou bastante sobre ela", contou Jordan, ao Deadline, sobre o momento em que leu o projeto de Pecadores. Quando ele diz que escreveu algo para mim, como você pode não responder enquanto artista? Existe respeito e admiração, porque havia uma conexão muito forte entre nós."

Dedicação extrema ao trabalho

Não foi sem alguns desafios internos que B. Jordan chegou ao patamar que ocupa hoje. Enquanto críticos e especialistas americanos tinham certeza que ele estava destinado a ser indicado ao Oscar, o ator não tinha tanta certeza de si.

Em entrevista concedida à Vulture, ele admitiu que colocar a carreira acima de outras experiências fez com que perdesse momentos pessoais importantes por estar totalmente focado em construir seu nome em Hollywood.

Em determinado momento, Jordan chegou a cogitar trabalhar o máximo que pudesse até os 30 anos, e depois abandonar completamente a carreira de atuação. "Perdi muitas coisas da vida. Não estou reclamando, mas sempre tive dificuldades para encontrar esse equilíbrio."

Na mesma entrevista, ele conta que procurar ajuda para entender seu crescimento emocional foi importante para que mudasse a forma de se relacionar com o trabalho e com as pessoas. Ele também admite que um passo crucial para isso foi sua estreia como diretor, em Creed III, que também impactou na parceria com Coogler em Pecadores.

"Acho que o mais importante da minha presença no set desta vez foi poder dar ao Ryan um segundo olhar", explicou. "Eu sabia que ele faria um close-up em algumas cenas, então eu ia rapidinho à maquiagem para retocar o sangue nas minhas mãos e, quando ele chegava, eu já estava pronto. Não precisava ficar esperando alguma coisa me dizer o que íamos fazer em seguida."

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