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Roberto Carlos chora ao rever seu 'Pequeno Cachoeiro' e emociona fãs em show pelos 85 anos

Estadão

A cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, amanheceu em festa neste domingo, 19. Não se tratava apenas de mais um show na cidade, mas da presença do seu cantor mais ilustre, Roberto Carlos, para comemorar o aniversário de 85 anos em sua terra natal.

O artista chegou ao aeroporto da cidade em torno de 16h, onde foi recebido por autoridades para descerrar a placa inaugural do Terminal de Embarque Robertino Braga, que recebeu o nome do seu pai.

"Eu fiquei muito emocionado quando entrei e vi a foto do meu pai. É uma alegria muito grande ver essa homenagem", destacou o artista. O cantor recebeu das mãos do governador Ricardo Ferraço uma caixa de pios de aves artesanais da centenária fábrica local Maurílio Coelho, usados por muitos artistas como instrumento musical.

À noite, mantendo a tradição e a paleta de cores, de branco com detalhes em azul, e com a elegância habitual, foi recebido com festa no Parque de Exposições Carlos Caiado Barbosa, onde milhares de pessoas o acolheram com aplausos calorosos. E lágrimas. O show emocionou a plateia e o Rei, que abriu sua apresentação com Emoções.

Ele foi aclamado pelo público cachoeirense e por admiradores de várias gerações e de outras cidades do estado e do país. Entre as fãs, Maria Rosilda Batista de Oliveira, 59 anos, e Maria Lúcia Marques, de 52.

Elas são amigas e saíram de Caruaru, em Pernambuco, na sexta-feira, 17, unicamente para prestigiar Roberto Carlos em mais um show, dessa vez na sua terra natal, que ainda não conheciam.

"Amo o Roberto desde que me entendo por gente. Minha mãe sempre o admirou e sempre que podemos, vamos prestigiá-lo", relata Maria Rosilda.

Para Maria Lúcia, a alegria de poder comemorar os 85 anos do ídolo em sua cidade natal tem grande valor afetivo. A fã conta que toda vez que ouve as músicas do artista chora e revela que quando visitou com a amiga a Casa de Cultura Roberto Carlos, criada na casa onde o artista morou, e ficou perto do piano, não conseguiu conter as lágrimas.

Outra fã, Jovanna da Silva Pin, de 21 anos, relata que estar no show é uma grande emoção e a realização de um grande sonho porque a paixão por Roberto Carlos atravessa gerações em sua família.

"Roberto Carlos sempre foi a trilha sonora da minha vida. Em todas as idas para Vila Velha, cidade em que fiz a faculdade, eu ouvia Meu Pequeno Cachoeiro ansiando pela volta para a doce terra onde nasci", complementa.

O espetáculo e o rito

Para além da apresentação musical, o show em Cachoeiro tem uma dinâmica que ganha energia ao longo do espetáculo.

O público interage, vai ao delírio em algumas músicas mais românticas e aplaude com reverência e muito entusiasmo as de temas religiosos.

Ao cantar Meu Pequeno Cachoeiro, Roberto Carlos se emocionou e muitos fãs foram às lágrimas junto com ele.

Uma delas foi Ana Lúcia Campana Dias, de 70 anos, residente de Aracuí, na cidade de Castelo, no sul do Espírito Santo. Este foi o primeiro show que ela viu, apesar de tê-lo conhecido muitos anos atrás, no Santuário de Aracuí.

Foi no 13 de maio de 1999 que eles se encontraram em um momento de profunda devoção e muita oração. Ela cuidava, juntamente com outros fiéis, da organização de um encontro religioso realizado anualmente que reúne milhares de fiéis de todo o País, num local que Ana define como sagrado: o Santuário da Imaculada Esposa do Espírito Santo.

A ministra da Eucaristia conta que naquele ano, um fiel ilustre, sem nenhum alarde e de forma discreta e respeitosa, estava entre os devotos que agradeciam pelas bênçãos ou rezavam por milagres. "Ele chegou sem avisos, em silêncio. Não era o artista famoso e reverenciado, mas um homem de fé, rezando pela cura da esposa Maria Rita", pontua. "Não houve pedidos de fotos, autógrafos ou interrupções. Ali, ele não era o cantor famoso, era apenas um esposo e devoto de Nossa Senhora", resume.

O relato da cachoeirense que mora há 65 anos em Aracuí reforça uma dimensão já conhecida da vida de Roberto Carlos: a forte ligação com a espiritualidade católica.

Essa foi a primeira, mas não única vez em que o artista rezou no local. Ana conta que em uma das visitas ele cantou Nossa Senhora, em um ambiente de oração e serenidade. "Roberto Carlos transformou essa música numa linda oração", recorda emocionada.

"O show foi maravilhoso. Fiquei muito emocionada e chorei muito quando ele cantou Meu Pequeno Cachoeiro. Eu amo essa música e consigo sentir toda a letra. Chorei muito. E também quando cantou Lady Laura. Vi que chorou e também estava muito emocionado", acrescenta.

Parabéns pra você...

Fãs inicialmente contidos se agitaram e se aproximaram do palco próximo à reta final do espetáculo, num frenesi contagiante, quando perceberam a proximidade da hora de cantar o parabéns para o artista.

A ideia era ficar mais próximo do cantor e homenageá-lo - mas, também, quem sabe, ganhar uma rosa ou um pedaço de bolo de suas mãos.

O bolo deste domingo, de cerca de 30 quilos, servia 240 pessoas e era exatamente como o rei gosta: doce de leite, coco e abacaxi de Marataízes, em preparo artesanal. A boleira Déia Cabelino e suas irmãs Lena e Nilza são as responsáveis pela confecção do bolo de aniversário do cantor Roberto Carlos há alguns anos. A primeira encomenda foi para o de 50 anos de carreira do cantor, comemorado também em Cachoeiro.

Alguns fãs tiraram a sorte grande e ganharam um pedaço. Outros foram servidos no camarim, após o show. As boleiras sabem que, pela agitação, nem sempre Roberto Carlos pode comer com calma. Por isso, preparam uma versão menor, só para ele, deixam em seu hotel, acompanhado de rosquinhas de nata e doce de figo colhidos no quintal de Déia.

"Num show ele cantou Esse Cara Sou Eu, minha música predileta, e dedicou para mim. Quase morri de emoção", conta a boleira.

Nesta sua nova passagem por sua cidade natal, Roberto Carlos provou mais uma vez que sua música não envelhece e que continua sendo a trilha sonora de muitas famílias, de casais apaixonados e de devotos de todas as idades.

Presente para a mãe

O cachoeirense Gustavo Carvalho Lins, 49, assistiu neste domingo ao sexto show de Roberto Carlos. O primeiro foi em 1991, quando ele ainda era um adolescente de 14 anos.

"Naquele tempo fiquei encantado com a orquestra, a afinação e o carisma", recorda. Desta vez, a mãe, Floripes, que nunca tinha assistindo a uma apresentação ao vivo, e faz 80 anos nesta quarta, 22, foi sua companhia.

"Minha mãe ficou impressionada com a simpatia dele no palco e emocionada com as canções Nossa Senhora e Meu Pequeno Cachoeiro, quando o Roberto também não segurou as lágrimas", destaca.

Quanto a ele, diz ter ficado impressionado com a vitalidade do cantor. "Aos 85 anos, segurar um show com 2h30, não é para qualquer um. Sem falar da beleza do local e nas canções que nos fazem pensar na vida e no amor", completa.

Ele tem o nome do Rei e foi pela primeira vez a um show dele

Para o professor Roberto Carlos Farias de Oliveira, que recebeu o nome em homenagem ao artista, prestigiar o primeiro show do seu ídolo com a sua mãe Tereza, para comemorar os 85 anos do cantor, tem um componente mágico.

Conta que cresceu ouvindo músicas em casa, em uma rotina familiar marcada pelos especiais de televisão de Roberto Carlos e pelo rádio sempre ligado. Filho de músico, seguiu caminho nas artes: já cantou e tornou-se professor, ator e escritor.

"Sempre que estava fora dizia o nome da cidade em que morava e pedia que adivinhassem o meu nome. O acerto era imediato", conta sorrindo.

Em relação à sua primeira vez num show do ídolo, diz que foi emocionante. "É uma viagem na história de quem cresceu embalado por suas canções. Suas letras são atemporais e reverberam na alma da gente", enfatiza.

O professor destacou que o espetáculo foi todo emocionante, mas aponta especialmente as músicas Além do Horizonte e Como é Grande o Meu Amor Por Você como as mais impactantes. "Assistir a tudo isso ao lado de minha mãe foi perfeito", resume.

Um amigo de infância

O oftalmologista Paulo Ney Viana, 90, guarda uma memória que antecede ao estrelato e o título de rei da música popular brasileira. Ele cresceu na mesma rua que Roberto Carlos, numa época em que as casas permaneciam abertas e a convivência da sua família com a do artista era contínua. "Minha família morava na primeira casa da rua, e eles na última", recorda.

O médico frequentava regularmente a casa de Roberto, então chamado carinhosamente de Zunga.

"A convivência de nossas famílias era diária e eu era muito amigo dos irmãos dele, Laurinho, Carlinhos e Norma", destaca Paulo Ney com uma certa nostalgia. "Até os meus 18 anos, éramos vizinhos. Quando ele tinha 13, a família se mudou para o Rio", recorda

Paulo Ney também se mudou para a mesma cidade aos 18 anos a fim de estudar Medicina e de passava na casa de Roberto. Mas a vida começava a mudar de ritmo, o amigo dava os primeiros passos rumo à fama, e os encontros se tornaram cada vez mais raros.

Paulo Ney, que voltou para Cachoeiro após a faculdade, sempre prestigiou os shows do amigo da infância com a família - eles já foram, inclusive, a dois shows em Nova York.

Esse ano essa tradição quase foi quebrada porque sua esposa, Maria Thereza, está com a saúde fragilizada. Contudo ele decidiu ir com a família. Uma irmã, inclusive, veio a Cachoeiro especialmente para aplaudir Roberto Carlos.

"Estar com ele é relembrar nossa infância. Minha música predileta dele é Meu Pequeno Cachoeiro", conclui.

Patrimônio afetivo

Aos 85 anos, Roberto Carlos permanece a figura amada por várias gerações, admirada pela simplicidade, apontada com uma de suas características pessoais mais marcantes, segundo aqueles que o têm como ídolo há décadas.

Em Cachoeiro sua história é partilhada por fãs, amigos, devotos e personagens anônimos que admiram e aplaudem a trajetória desse cachoeirense que se tornou um dos maiores ícones da música popular brasileira.

Mais que isso, orgulho de uma cidade inteira, e que não por acaso conquistou o título de rei.

"Esse rei manterá para sempre a coroa e a majestade", sussurrou uma fã, emocionada e em lágrimas no show que marcou um momento ímpar na história de Roberto Carlos e de sua cidade natal.

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