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Temos uma inovação disruptiva no Brasil, diz executivo de laboratório de remédio para lesão medular

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Rogério Almeida, vice-presidente do laboratório Cristalia, que apresentou na terça-feira (9), em São Paulo, o medicamento polilaminina, que se mostrou capaz de regenerar lesões na medula espinhal, defendeu a ampla divulgação do feito, mérito de uma pesquisadora brasileira, Tatiana Coelho de Sampaio, professora doutora da UFRJ.

"Temos um grande complexo de vira-lata. Estamos vendo uma divulgação muito grande de vários projetos que estão acontecendo ao redor do mundo e temos uma inovação disruptiva no Brasil. Uma invenção desenvolvida numa universidade pública, com dinheiro público. Um laboratório nacional, 100% nacional, familiar, financiando isso", afirmou o executivo.

Para Almeida, está sendo mostrado ao mundo uma evolução e que é preciso olhar com atenção para o desenvolvimento de algo muito promissor realizado dentro do país.

"Não é só lá fora que se faz ciência, não é só lá fora que se faz inovação. Dentro do Brasil também tem e de altíssima qualidade".

Em pesquisas realizadas no âmbito de estudos, autorizadas por órgãos éticos de acompanhamento, a aplicação do medicamento, feita diretamente na medula de pacientes que sofreram traumas como acidentes, quedas, violência e que tiveram lesão medular, os resultados foram tidos como extraordinários.

Oito voluntários que receberam o antídoto tiveram seus quadros de paraplegia e tetraplegia revertidos parcialmente ou totalmente. O medicamento já passou por validação fora de seu laboratório de origem e também foi amplamente testado em animais, sempre com resultados muito positivos, segundo os pesquisadores.

A ideia inicial é que a polilaminina seja aplicada em pacientes com lesões agudas, que aconteceram há no máximo três meses. As tratativas para a liberação de uma nova fase de testes, mais ampla, estão sendo feitas com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

Dois hospitais de São Paulo já estão credenciados para a aplicação do antídoto, diretamente na medula, quando autorizados. Nas pesquisas ao longo de 25 anos, não foram detectados riscos ao paciente, o que será aprofundado.

"A Anvisa tem um papel importante na proteção dos pacientes. A gente tem que entender que o órgão precisa olhar para o paciente e saber o que está sendo proposto para ele e garantir um tratamento que seja seguro", declarou o vice-presidente.

A Cristália já investiu R$ 28 milhões na polilaminina e afirma estar preparada para uma escala mundial do medicamento, caso tudo se comprove, o que ainda pode levar cerca de três anos. O fundador e presidente do conselho do laboratório, o médico Ogari Pacheco, já afirmou que o medicamento terá finalidade social e que a intenção é que esteja o mais rápido possível na rede pública.

"Vários questionamentos feitos pela Anvisa ao longo desse processo para que se garanta de fato a segurança do paciente foram respondidos. A gente entende que já esgotou a maior parte dessas dúvidas.

A proteína que gera o medicamento é retira da placenta humana. O laboratório acompanha o estado de saúde de todas as voluntárias doadora para certificar a qualidade do material.

"A indústria não tem tempo de fazer pesquisa de base, de fazer descoberta. A indústria precisa trabalhar e girar. Quem faz pesquisa, a descoberta é a academia. E, na ponta, o governo, o órgão regulador, tem que estar trabalhando junto para a gente poder disponibilizar isso o quanto antes".

Almeida avalia que inovação no Brasil é rara porque falta conexão entre universidades, indústria e órgãos reguladores. Segundo ele, a academia pesquisa movida por curiosidade e sem prazos definidos, enquanto a indústria exige resultados com início, meio e fim. Já a Anvisa só libera algo com segurança total para o paciente.

A diferença de ritmos e desconfianças mútuas, de acordo com o executivo, faz com que descobertas não cheguem à população e que só seria possível avançar quando houver mais diálogo e cooperação entre as três pontas.

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