Pelo menos quatro municípios do Sul do Amazonas estão sofrendo impactos ambientais ocasionados pela construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Santo Antônio, localizada no estado de Rondônia. A informação é do prefeito do município de Canutama (a 619 quilômetros de Manaus), Ocivaldo Amorim, que afirma que 2% dessa região já está alagada. Segundo o prefeito, 50% a 70% das zonas Urbana e Rural, respectivamente, irão inundar quando a UHE atingir capacidade máxima de operação.
A construção da hidrelétrica de Santo Antônio, iniciada em 2008, é considerada um empreendimento de grande porte que envolve o represamento do rio Madeira. Com a implantação, dois problemas surgiram: o alargamento do rio em virtude da elevação do lençol freático, volume das águas, e, em consequência, a inundação de parte do território do Estado do Amazonas. Em agosto de 2013, o deputado estadual Sidney Leite (PROS) já havia denunciado o caso na Aleam. Segundo o parlamentar, nas terras do território amazonense a represa deixou áreas alagadas, gerando também impactos sociais.
Leite esteve na região acompanhado do prefeito Amorim e da secretária de Estado de Desenvolvimento Sustentável, Kamila Amaral. A equipe visitou áreas antes ocupadas apenas por pequenos igarapés, que hoje formam imensas áreas alagadas e com a vegetação morta. O município de Canutama se encontra em situação de emergência por conta da cheia do rio.
Para o deputado, a questão dos limites territoriais é outro ponto que precisa ser melhor esclarecida, uma vez que o consórcio responsável pelas obras da usina afirma que o território alagado pelo Madeira pertence a Rondônia, mas a população que reside nos assentamentos dessa região é considerada amazonense, atendida por políticas públicas do Amazonas.
Com base nesses impasses, o parlamentar irá entrar com quatro pedidos de providências junto ao Ministério Público Estadual (MPE), Secretaria de Estado de Política Fundiária (SPF), Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Casa Civil.

