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Uma ópera italiana no meio da floresta: a história do Teatro Amazonas e como visitar por dentro

Erguido com dinheiro da borracha e inaugurado em 1896, o cartão-postal de Manaus abre para visitas guiadas de terça a domingo; amazonense não paga

Uma ópera italiana no meio da floresta: a história do Teatro Amazonas e como visitar por dentro
Foto: Reprodução / Secretaria de Cultura do AM

A ideia soava absurda quando foi apresentada, em 1881: erguer uma casa de ópera em alvenaria no meio da floresta, numa cidade que ainda engatinhava às margens do Rio Negro. O autor da proposta foi o deputado Antônio José Fernandes Júnior, e o que parecia delírio virou obra graças ao dinheiro do látex. O projeto veio de um escritório de engenharia e arquitetura de Lisboa, as obras começaram em 1884 sob a coordenação do arquiteto italiano Celestial Sacardim e atravessaram anos de paralisações e retomadas. O Teatro Amazonas foi finalmente inaugurado em 31 de dezembro de 1896. Poucos dias depois, em 7 de janeiro de 1897, o palco recebeu sua primeira montagem: a ópera "La Gioconda", encenada por uma companhia lírica italiana.

Quase tudo no prédio chegou de navio. A cúpula, comprada em Paris e feita com peças de cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas vindas da Alsácia, na França, soma 36 mil escamas nas cores verde, azul e amarelo, numa referência à bandeira brasileira — é ela que aparece em qualquer foto aérea do Centro. De fora também vieram o ferro das estruturas, o mármore de Carrara das colunas e os lustres de vidro de Murano. A sala de espetáculos acomoda 701 pessoas entre plateia e três andares de camarotes, e tem acústica tão precisa que dispensa amplificação em apresentações de música acústica, canto lírico e coral.

O interior é obra de dois artistas. O pernambucano Crispim do Amaral cuidou da decoração geral e assinou, em 1894, o pano de boca que retrata o encontro das águas dos rios Negro e Solimões — uma peça que não é enrolada nem dobrada, movendo-se apenas na vertical para não danificar a pintura. Já o Salão Nobre coube ao italiano Domenico de Angelis, autor da pintura de teto "A Glorificação das Belas Artes na Amazônia", concluída em 1899. Ali estão ainda bustos de personalidades, tapeçarias com fauna e flora regionais e um piso geométrico formado por 12 mil peças de madeira encaixadas. O conjunto foi tombado como patrimônio histórico em novembro de 1966 e ganhou um museu próprio em 1971, com acervo sobre a construção e a vida artística da casa. Hoje o teatro segue ativo, abrigando desde temporadas de ópera até espetáculos de dança e concertos.

Quem quer conhecer por dentro não precisa esperar por espetáculo: o prédio abre para visitação turística guiada, com roteiro que passa pelo hall, salão de espetáculos, Salão Nobre, camarim de época e varanda frontal, em cerca de 45 minutos a uma hora. Não há agendamento nem venda antecipada — o ingresso é comprado na hora, na bilheteria. Vale chegar cedo, porque os grupos saem em horários predeterminados e a agenda de ensaios e apresentações pode alterar o funcionamento no dia.

Serviço — Teatro Amazonas

  • Endereço: avenida Eduardo Ribeiro, 659, Largo de São Sebastião, Centro, Manaus
  • Visitação: de terça a sábado, das 9h às 17h; domingos e feriados, das 9h às 13h
  • Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), vendidos apenas presencialmente na bilheteria
  • Gratuidade: nascidos no Amazonas (mediante comprovação de naturalidade), crianças de até 10 anos e pessoas com deficiência
  • Meia-entrada: estudantes com carteirinha válida, professores, pessoas a partir de 60 anos, doadores de sangue, militares, profissionais da saúde e acompanhantes de pessoas com deficiência, todos mediante comprovação
  • Telefone: (92) 3622-1880

Horários e valores podem sofrer alteração conforme a programação da casa. A recomendação é confirmar por telefone antes de sair.

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