Início Arte e Cultura 'O povo americano precisa se lembrar de como foi formado', diz Kevin Costner sobre imigração
Arte e Cultura

'O povo americano precisa se lembrar de como foi formado', diz Kevin Costner sobre imigração

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Astro de vários filmes e séries ambientados no velho oeste americano, como o sucesso "Yellowstone", Kevin Costner está estreando como apresentador do History Channel. Ela vai comandar a série documental "The West".

Em oito episódios, a produção tem dramatizações de eventos do período da expansão e colonização da costa oeste americana. Segundo o ator, que se diz "fortemente atraído" pelas histórias do velho oeste, o charme da série está nos acontecimentos e personagens reais que ajudaram a formar o território dos Estados Unidos.

"Nosso país foi formado por diferentes culturas e é isso que gerou a glória dos Estados Unidos", disse o ator em lançamento virtual com jornalistas de vários países, do qual o F5 participou. Ao lado da historiadora Doris Kearns Goodwin, com quem assina a produção executiva, ele falou sobre os bastidores da série.

"Trabalhar com Kevin é bom porque ele ama tanto isso que contagia. Um professor entusiasmado faz um aluno querer aprender", comentou Doris sobre o parceiro.

Segundo o ator, a série não é só "sobre caubóis lutando contra indígenas". A dupla disse que procurou investigar histórias menos conhecidas do folclore americano, fugindo dos clichês de personagens já exaustivamente retratados no audiovisual.

Claro que há cenas de bang-bang dentro de um celeiro, exploradores solitários cavalgando por paisagens deslumbrantes e mocinhas inocentes sendo raptadas pelo chefe da tribo. Em uma das histórias, dois missionários enviados para catequizar a população acabam se metendo em problemas e são mortos por indígenas.

Segundo a dupla, a produção foi cuidadosa ao retratar os povos nativos, tentando corrigir injustiças feitas durante os quase cem anos do gênero faroeste.

PERIGOSO E SELVAGEM

"Quando começamos a fazer filmes de faroeste, as pessoas se encantavam pelas imagens de natureza. Não podíamos acreditar quão grande e lindo era o nosso país. Queríamos ver cenas bonitas e heroicas, então o que aconteceu foi que romantizamos esse período, que na verdade foi perigoso, selvagem e sanguinolento", avaliou Kevin.

"Romantizamos a exploração, os confrontos, os massacres, culturas sendo totalmente destruídas. Não queríamos ver isso na TV. A ideia de heroísmo era mais aceitável", observou.

Em tempos de crise imigratória e intolerância nos EUA, o ator ressalta a importância de olhar para o passado para entender o mundo contemporâneo. "O povo americano precisa se lembrar de como foi formado", diz. "Esquecemos que o que nos fez excelentes foram as diferentes mentalidades, diferentes ambições, a diversidade."

Segundo Doris, a expectativa com a série é atingir o público jovem. "A história está sendo deixada de lado nas escolas, está sendo ensinada de forma polarizada e temos que ensiná-la como realmente foi", afirmou.

O ator completou: "Tem matemática demais nas escolas. Temos que ter mais aulas de história. Temos que olhar para trás e aprender a lição. Ver a glória e a tristeza disso tudo. Devemos ficar chocados com nossa própria história e aprender com nossos antepassados a fazer melhor."

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