BRASÍLIA- Após as manobras do governo com a troca de nove deputados titulares na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara cresceu o número de parlamentares que manifestam posição favorável ao presidente Michel Temer. Na enquete do GLOBO, já são 21 os deputados da Comissão que anunciam voto contra a denúncia, o mesmo número dos favoráveis à aceitação. A CCJ tem 66 deputados e 24 ainda estão indecisos ou não responderam.
Uma das parlamentares que se posicionou a favor do presidente nesta terça-feira foi Magda Moffato (PR-GO), que virou titular da comissão ontem justamente para que seu partido dê os votos contra a denúncia.
— Minha preocupação é com o país, não com o futuro de Michel Temer. A saída do presidente causaria uma grande desestabilização no país. Temos que pensar na nossa nação, não no presidente. Não quero que o Brasil vire uma Venezuela, que no prazo de dois anos tenhamos cinco presidentes. Temos que acabar com a corrupção e não com o país. Com as medidas adotadas pela atual gestão, a economia estava se recuperando e o país estava estável. Os deputados precisam votar com responsabilidade. A decisão não pode vir por raiva, emoções do momento ou ódio contra alguém – disse Magda.
Entre os deputados que assumiram publicamente o apoio a Temer está o tucano Paulo Abi Ackel (MG). Ele afirmou ter tomado essa posição após ter analisado o parecer do deputado Sérgio Zveitter (PMDB-RJ) e a defesa feita pelo advogado Antônio Cláudio Mariz.
— Decidi após ouvir ontem tanto a denúncia quanto a defesa. Vou votar contra a admissibilidade – anunciou o tucano.
Também anunciaram posição nessa terça-feira o deputado Domingo Neto (PSD-CE) e Soraya Santos (PMDB-RJ), que assina o voto em separado apresentado pela bancada de seu partido pela rejeição da denúncia.
Líderes aliados não descartam fazer novas mudanças na CCJ no caso de deputados da base que já assumiram publicamente voto a favor da denúncia. É o caso de Espiridião Amin (PP-SC) e Lincoln Portela (PRB-MG), que tornaram essa posição pública nessa segunda-feira mesmo depois de o governo ter patrocinado trocas na comissão.

