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Após votar contra reforma, senador do PMDB sofre retaliação e fala em ‘balcão de negócios’

BRASÍLIA - O senador correligionário do presidente Michel Temer que rejeitou a reforma trabalhista e teve indicações exoneradas disse que Temer e ministros deveriam se preocupar com investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) em vez de fazer do governo um "balcão de negócios". Nesta quarta-feira, o senador Hélio José (PMDB-DF) afirmou que sofreu "ameaças" do Palácio do Planalto, que teria agido com "malandragem". Um dia antes, ele votou contra a reforma na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), e o governo foi derrotado por um voto.

— Retaliação total. Eles têm que ver o lado deles primeiro, se justificar perante o STF. O presidente Temer, o ministro Padilha, outros ministros. Eu ou meus indicados não estamos no STF. O governo não pode fazer um balcão de negócios, é um ataque ao Parlamento — atacou o senador ao GLOBO.

O presidente Michel Temer é investigado no STF por obstrução de Justiça, organização criminosa e corrupção passiva, no âmbito das delações de empresários da JBS. Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, e outros sete ministros de Temer são investigados pela Corte após colaborações premiadas de executivos da Odebrecht.

Foram exonerados nesta quarta-feira Francisco Nilo Gonsalves Júnior, da superintendência da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que é subordinada ao Ministério do Planejamento; e Vicente Ferreira, da diretoria de Planejamento da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).

Nesta terça-feira, Hélio José havia votado pela rejeição do relatório da reforma, e o governo foi derrotado por um voto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado: dez a nove. Logo depois, o correligionário de Temer gravou um vídeo dizendo que o voto dele havia sido "decisivo" e "em prol da classe trabalhadora brasileira". Ele criticou a "retirada de direito dos trabalhadores".

No começo de maio, duas semanas após o Planalto não conseguir aprovar regime de urgência para a reforma trabalhista ainda na Câmara, houve demissões de indicados de pelo menos quatro aliados que se posicionaram contra o governo: Antônio Jácome (PTN-RN), Deley (PTB-RJ), Ronaldo Fonseca (Pros-DF) e Expedito Neto (PSD-RO).

Em agosto, Hélio José havia dito que indicaria quem quisesse, "até uma melancia" para a SPU. Ele foi gravado esbravejando contra funcionários da secretaria. Depois, alegou que chamava Nilo de "melancia" porque ele tinha uma "barriguinha".

Procurado, o Palácio do Planalto não comentou as exonerações.

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