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Articulador político e apaziguador de Ciro, Cid Gomes prepara o pré-candidato

BRASÍLIA — Cinco anos e meio mais novo que o pré-candidato do ao Palácio do Planalto, , sempre foi considerado mais habilidoso politicamente do que o irmão presidenciável. De perfil mais agregador, o do ex-ministro da Educação e ex-prefeito de Sobral assumiu a tarefa de coordenar a campanha de Ciro para a . A missão tem tomado 100% do seu tempo e energia. Mesmo liderando as pesquisas de intenções de voto para o Senado no Ceará, ele diz que só será candidato se a campanha do irmão estiver andando de vento em popa.

Aliados especulavam que, se ele não se lançasse ao Senado, poderia concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. A disputa por uma vaga de deputado exigiria menos esforço de Cid e o liberaria para manter a dedicação ao projeto presidencial do irmão. Ele nega essa possibilidade. Diz que ou tentará o Senado, ou ficará na campanha de Ciro. A decisão só será tomada no final do prazo para o registro das candidaturas.

— O Cid está muito em dúvida se será candidato ou se coordenará a campanha do irmão. Ele foi ministro e tem falado com muita gente — diz o presidente do PDT, Carlos Lupi.

Enquanto não decide sobre a própria candidatura, a rotina de Cid em busca de apoio para o irmão tem sido puxada. Às segundas-feiras, ele voa para São Paulo, onde está sendo montado o plano de governo de Ciro. Às quartas, ele desembarca em Brasília para conversas com políticos. As quintas estão reservadas para viagens a outros locais do Brasil para reuniões ou eventos. Às sextas, ele volta para o Ceará. Mas não para descansar. Lá, toca a pré-campanha presidencial do PDT e ajuda na tentativa de reeleição do aliado Camilo Santana (PT) ao governo do estado.

Quem conhece bem a família Ferreira Gomes conta que Cid é uma espécie de alter ego do Ciro, de quem é muito próximo. Ele compartilha o temperamento forte do irmão, mas é considerado mais afável.

— O que o Ciro tem de estourado, o Cid tem de delicado — diz um amigo.

Além das conversas em busca de alianças, Cid também tem modulado com o irmão as linhas mestras do programa de governo, que tem como coordenadores os economistas Nelson Marconi e Mauro Benevides Filho e o filósofo Mangabeira Unger. E talvez seja o único do time capaz de tentar esfriar o sangue de Ciro, conhecido pelos rompantes.

— Ele tem ajudado muito o Ciro no sentido de prepará-lo para provocações. Pela personalidade dele, o Cid tem assumido muito o papel de apaziguador — diz o deputado André Figueiredo (CE), líder do PDT na Câmara.

Cid assumiu as articulações para atrair o apoio do PSB à candidatura de Ciro e teve uma reunião em Brasília com a bancada do partido na Câmara. Os 16 deputados do partido que participaram da conversa (de uma bancada de 26) saíram bem impressionados com a abordagem de Cid.

—Ele foi muito cuidadoso. Fez questão de primeiro ouvir todo mundo. Disse que quer o PSB como um parceiro prioritário — disse um dos participantes do encontro.

O PSB é considerado chave pelo PDT para dar mais corpo a uma coligação de centro-esquerda de apoio a Ciro, que ajudaria a isolar o PT. Embora na estratégia da candidatura de Ciro a esquerda tenha prioridade, as conversas com lideranças do centrão também estão em andamento. No PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira (PI), o clã cearense conta com defensores. Caso se torne presidente, Ciro, que já foi deputado federal, sabe que não conseguirá tocar seu governo sem negociar com o Congresso Nacional. O centrão soma mais de 200 dos 513 deputados.

— Ciro tem posições duras sobre certos temas. Mas é uma pessoa do diálogo. Quando ele foi governador, teve apoio de dois terços da Assembleia Legislativa — afirma Cid.

O estrategista de Ciro diz que o presidenciável não negociará com o Congresso “à base de loteamento de cargos”. A breve passagem de menos de três meses de Cid como ministro da Educação do governo Dilma Rousseff foi encerrada depois de um discurso na Câmara em que ele se envolveu numa discussão com o então presidente da Casa, Eduardo Cunha. Dias antes, Cid dissera que a “Câmara tinha de 300 a 400 achacadores”.

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