Início Brasil Beto Richa ‘pegou tudo em dinheiro’, diz delator da JBS em áudio
Brasil

Beto Richa ‘pegou tudo em dinheiro’, diz delator da JBS em áudio

BRASÍLIA - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), "pegou tudo em dinheiro", segundo o delator Ricardo Saud, ao falar sobre repasses feitos pelo grupo J&F ao governador tucano. A menção aparece na conversa de quatro horas entre Saud, diretor de relações institucionais do grupo, e Joesley Batista, um dos donos da J&F. A gravação foi enviada à Procuradoria Geral da República (PGR) na última quinta-feira à noite, dentro de um pacote de complementação da delação premiada assinada com a PGR e homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Repasses em dinheiro vivo também beneficiaram o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), conforme o relato feito por Saud a Joesley. A forma como o grupo beneficiou os dois governadores da Região Sul foi o último assunto tratado pelos delatores e registrado por um gravador.

Saud fala de Richa e Colombo logo depois de apontar a necessidade de "preservar todos os nossos", numa referência a consumidores, compradores e supermercados. "A gente salva uns quatro ou cinco amigos", diz o diretor da J&F na conversa. O delator afirma, então, que será necessário "jogar esses amigos tudo no fogo".

"Os governadores, coitadinhos... Beto Richa... Pegou tudo em dinheiro. Fui eu e aquele José Jerônimo entregar pro Beto", afirma Saud. "Colombo... Fomos eu e o... Entregar para o...", continua o diretor. "Gavazzoni", responde Joesley. "Gavazzoni. Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três", continua Saud.

Tanto Richa quanto Colombo foram citados na delação premiada – os dois em depoimentos de Saud. O diretor da J&F, proprietária da JBS, afirmou ter entregue R$ 1 milhão em dinheiro vivo a Pepe Richa, secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná e irmão do governador. O dinheiro se destinou à campanha de 2014, conforme a versão do delator.

Já Colombo teria sido beneficiário de repasses de R$ 10 milhões, dos quais R$ 2 milhões em dinheiro vivo, também para a campanha de 2014, segundo Saud em sua delação premiada. Em troca, o governador deveria atuar a favor do grupo no processo de licitação para compra da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento, ainda segundo a versão do delator.

RS - Tudo que não precisar tocar no tipo de assunto... A gente preserva todos os nossos... como chama... consumidores, nosso mercado. Preservamos todos os supermercados, compradores. Todos os nossos compradores. E a gente salva uns quatro ou cinco amigos. Porque de outro jeito, não tem jeito de contar a história sem os caras... Eu acho que pelos mais fortes... A questão é que nós vamos ter de jogar esses amigos tudo no fogo. Os governadores, coitadinhos... Beto Richa... Pegou tudo em dinheiro. Fui eu e aquele José Jerônimo entregar pro Beto. Colombo... Fomos eu e o... entregar para o...

JB - Gavazzoni.

RS - Gavazzoni. Eu fui lá umas quatro vezes e o Florisvaldo umas três.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?