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Jucá diz que denúncia contra Temer foi ‘em princípio uma armação’

BRASÍLIA - O presidente nacional do PMDB e líder do governo Michel Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse nesta terça-feira que os últimos acontecimentos envolvendo a delação da JBS mostram que a primeira denúncia contra o presidente da República foi "em princípio, uma armação" e que Janot não deve adotar uma atitude "melancólica", ao comentar a apresentação de uma nova denúncia.

Jucá defendeu que o Congresso abra uma "investigação independente", uma espécie de "CPI do Ministério Público", sobre todos os processo de delação que tiveram a participação do ex-procurador Marcelo Miller, que atuava na PGR e depois atuou casos relacionados à JBS. O senador citou as delações envolvendo a JBS, o doleiro Lúcio Funaro, operador do PMDB; Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro; Nestor Cerveró, ex-dirigente da Petrobras; e o ex-senador do PT Delcídio Amaral.

— A primeira denúncia se mostrou, em princípio, uma armação. Foi fruto de um processo que agora está vindo à tona. Se a primeira foi e se outras existem a desconfiança de que foi (também), pode ser uma forma de agir e, desta forma, não está de acordo com a lei. Se ele (Janot) tem consciência, responsabilidade e certeza, apresenta (a nova denúncia). Não espero que seja mais uma posição melancólica, ou, digamos assim, esquecida ou incorreta do Ministério Público como foi a primeira denúncia — disse Jucá, ressaltando:

— Estamos fazendo tudo que precisamos fazer no Brasil mesmo contra as armações e as tentativas de se criar crise política.

Jucá disse que o Congresso tem instrumentos para promover a investigação dos atos do Ministério Público. O Congresso já criou uma CPI Mista sobre a JBS, mas o alvo aqui é o Ministério Público.

— O Congresso tem instrumentos para fazer isso (investigação). Se não for uma ação isolada de irregularidade, mas uma ação orquestrada com mais casos, o Congresso pode sim pensar fazer uma investigação independente para tirar a limpo essas questões que afetam a democracia, o país, a economia, a classe política. O Congresso tem que acompanhar essa investigação, talvez até fazer uma investigação própria e independente para obter a verdade. Os fatos são graves, pode ser identificados omissão, crime, muitas coisas. Há muitas coincidências. Existem agora dúvidas sobre várias delações — disse o senador.

Para ele, Janot citou problemas apenas em um caso.

— Mas, se a gente pegar o fio da meada, vai se ver que o procurador Marcelo Miller, ele organizou a delação do Sérgio Machado, do Cerveró, do Delício, do Joesley.

Jucá manteve o bom humor da semana passada, quando disse que Janot o investigava porque tinha um verdadeiro "fetiche" em seu bigode:

— Meu bigode está muito bem, como sempre.

Investigado na Lava-Jato, Jucá disse que o Ministério Público precisa "funcionar bem".

— E a gente sempre colaborou aqui para isso. Existem agora dúvidas sobre várias delações — disse ele.

O senador ainda citou ligações entre Miller e a advogada Fernanda Tórtima.

— E há uma advogada do Rio de Janeiro que tem proximidade com o senhor Miller, que é a Fernanda Tórtima, que ela foi advogada nestas delações de todos estes indicados — disse ele.

Jucá disse que o presidente Michel Temer tem uma base forte no Congresso. E perguntado sobre a situação de Geddel Vieira Lima, ex-ministro e integrante do PMDB, que teve malas de dinheiro apreendidas pela Polícia Federal, Jucá afirmou apenas:

— Não tenho a mínima ideia do que é isso, desconheço essa informação.

Jucá confirmou ainda que o senador Fernando Bezerra vai se filiar nesta quarta-feira ao PMDB. O senador vinha negociando sua saída do PSB com o DEM, mas o PMDB interveio na conversa. O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, vai se filiar em breve.

Filiação do Fernando Bezerra, estamos esperando alguns deputados

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