Uma operação da Polícia Federal prendeu os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, o dono da página "Choquei", Raphael Sousa Oliveira e o empresário Chrys Dias. Eles são suspeitos de integrar um grupo que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão com rifas e bets ilegais patrocinadas pelo crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além deles, outras três pessoas foram presas por elo com o grupo. Todos eles ligados ao setor artístico e de entretenimento. Defesa de MC Ryan afirma que "a verdade será devidamente demonstrada". A reportagem tenta contato com todos os citados. O espaço segue aberto.
Veja abaixo quem é quem e o qual era o papel de cada um no suposto esquema, segundo as investigações da PF:
Raphael Sousa Oliveira, dono do 'Choquei'
Segundo a PF, Raphael Sousa Oliveira, é suspeito de usar o perfil em rede social para "gestão de imagem e promoção digital" do grupo investigado. Ele foi detido em Goiânia e é apontado como "operador de mídia da organização".
Sua função era divulgar conteúdos favoráveis a MC Ryan, promover plataformas de apostas e rifas e atuar na contenção de crises de imagem relacionadas às apurações da Polícia Federal. O perfil no Instagram da "Choquei" tem 27 milhões de seguidores.
O dono da "Choquei" também recebeu, segundo a PF, valores milionários de três outros envolvidos e também presos na operação:
MC Ryan
MC Ryan SP, nome artístico de Ryan de Oliveira Santana, de 25 anos, é natural de São Paulo e ganhou projeção nacional a partir de 2021, com músicas que viralizaram nas redes sociais focadas em ostentação. Ao longo da carreira, o MC esteve envolvido em uma série de polêmicas fora dos palcos.
Ele é suspeito de liderar o esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas, com uso de bets, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento.
Segundo a investigação, o grupo, liderado por Ryan, transferia participações societárias para familiares e "laranjas". O objetivo era desassociar o dinheiro ilícito ao nome deles e depois reinseri-lo na economia formal por meio da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.
A defesa de Ryan informou que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro "possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos".
Poze do Rodo
Nascido e criado na comunidade do Rodo, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o Poze do Rodo, de 27 anos, construiu sua carreira a partir de músicas que retratam a realidade em que viveu.
O MC já declarou ter trabalhado para o tráfico durante a adolescência. Em 2023, durante entrevista ao programa Profissão Repórter, contou que chegou a ser baleado e preso neste período.
Poze do Rodo foi detido no Recreio dos Bandeirantes. Segundo a PF, ele fazia parte do esquema, mas não está claro qual exatamente era a função. A defesa disse desconhecer o teor do mandado de prisão.
O funkeiro já foi preso outras duas vezes. Em 2019, durante um show em Mato Grosso, por apologia ao crime. E em 2024, foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio contra sorteios feitos por meio das redes sociais.
Chrys Dias
O influenciador Chrys Dias, que soma 15 milhões de seguidores no Instagram, também foi preso apontado de fazer parte do esquema. Nas redes sociais, ele se apresenta como empresário do MC Ryan. O Estadão não conseguiu contato com a defesa de Dias.
Rodrigo Inácio - Fundador de produtora de funk
O dono da produtora GR6, Rodrigo Inácio Lima de Oliveira, fundador da maior produtora de funk do País, também foi alvo de prisão por envolvimento no grupo. A defesa dele não foi localizada.



