A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou o ex-deputado estadual sul-mato-grossense Sérgio Assis, o filho dele e mais dois investigados no inquérito da Operação Agro Fantasma, que apura um golpe de R$ 58 milhões contra produtores rurais. Assis e Wanderley Soares Barboza Junior, administrador da Santa Felicidade Agro Indústria, foram indiciados por estelionato. Mário Sérgio Cometki Assis, filho do ex-parlamentar, e o empresário Pedro Henrique Cardoso respondem também por associação criminosa e fraude processual.
Pelo relatório policial, o grupo se apresentava como empresa sólida e convencia produtores a usar o nome de suas propriedades para comprar grãos a prazo, que eram revendidos à vista para indústrias. As dívidas eram quitadas nos primeiros meses e depois deixavam de ser pagas, transferindo o prejuízo ao produtor. Uma única vítima acumulou inadimplência superior a R$ 58 milhões. O delegado Ricardo Sarto afirma que o ex-deputado usava a figura política e o poder econômico como garantia nas negociações das empresas investigadas.
A investigação aponta ainda que os alvos souberam da operação antes da deflagração. Em 3 de março, um dia antes das buscas, o sistema bancário executou ordem judicial que bloqueou R$ 70 milhões das contas do grupo. Ao verem o extrato, os investigados acionaram advogados e conseguiram revogar prisões preventivas. Câmeras de segurança registraram dois deles retirando caixas de documentos da sede da Imaculada Agronegócios, em Cuiabá, na madrugada anterior. Depoimentos indicam que os papéis foram queimados e que o sistema de monitoramento foi formatado remotamente enquanto um perito recolhia as imagens.
Em março, durante o cumprimento de mandado na casa dele em Campo Grande, Sérgio Assis foi preso em flagrante por posse ilegal de cerca de 250 munições e liberado após pagar fiança de R$ 5 mil. A defesa nega envolvimento com o esquema. Em nota, o advogado João Paulo Zampieri rejeita as acusações de estelionato, conluio e associação criminosa e afirma que o ex-parlamentar não tem gestão nem poderes para representar as empresas. Pedro Henrique Cardoso, apontado como comandante da estrutura, está foragido.



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