A Polícia Federal (PF) pretende concluir ainda em 2024 o inquérito sobre o uso ilegal de sistemas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar autoridades e políticos durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). O caso, conhecido como "Abin Paralela", investiga a espionagem de figuras públicas e inclui o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, que atualmente é deputado federal.
A informação é da jornalista do G1, Andréia Sadi. A investigação foi vinculada à apuração sobre tentativas de golpe de Estado em 2022, com envolvimento de membros do governo Bolsonaro. A PF encontrou indícios de que o esquema de espionagem estava ligado a uma rede maior de ações golpistas, com uma divisão de tarefas em "núcleos", incluindo um dedicado à "Inteligência Política". Ramagem é acusado de gravar ilegalmente reuniões entre Bolsonaro e advogadas do senador Flávio Bolsonaro, além de ser investigado por mandados de busca e apreensão.
A PF vê um elo entre o inquérito e a tentativa de dar um golpe de Estado em 2022 que previa até o assassinato do presidente Lula do vice Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, revelada em detalhes na semana passada.
Além de Ramagem a PF tem coletado depoimentos de agentes da Abin que acessaram o sistema de monitoramento de forma clandestina, buscando identificar responsáveis pelos acessos ilegais e eventuais tentativas de obstrução da Justiça. As conclusões podem resultar em acusações de organização criminosa, interceptação ilegal e invasão de dispositivos.

