BRASÍLIA — Após a para prestar depoimento, o senador (Rede-AP) decidiu renunciar ao seu cargo comissão. Randolfe considera que a intenção dos integrantes da CPI é “destruir a Lava-Jato”.
— A CPI é uma farsa montada para desqualificar os procuradores da República e destruir a Lava-Jato e as demais investigações no país. Não encontro alternativa para atuar nessa CPI. É um espetáculo circense com um roteiro pronto. Não tenho mais condições — explicou o parlamentar.
Em setembro, Pelella já havia sido convidado a falar na comissão, mas não atendeu ao pedido. Agora, a presença dele é obrigatória. O requerimento para transformar o convite em convocação foi apresentado pelo presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO). Ele era considerado braço-direito do ex-procurador-geral Rodrigo Janot.
No documento em que oficializa seu pedido de saída da CPI, Randolfe afirma que há um “quadro de intenções nada republicanas que se coloca na condução dos trabalhos”. O senador critica o fato da comissão focar no Ministério Público, e não nos “bilhões drenados em recursos públicos para abastecer o negócio criminoso dos irmãos Batista”, porque isso implicaria em “jogar luz sobre os crimes de membros do governo”.
“A construção da lápide da Lava-Jato já está adiantada e aguarda seu momento apoteótico, em que a impunidade provavelmente se fará, mais uma vez, uma marca da nossa tragédia política”, diz o texto.
A convocação foi classificada como um “absurdo institucional” pelo o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Robalinho Cavalcanti. Ele argumenta que a CPI não pode convocar autoridades que participam de investigações em andamento, e disse que irá recorrer contra a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2012, o STF vetou a participação no então procurador-geral, Roberto, na CPI do Cachoeira.

