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SP é a metrópole mais perigosa para mulheres em relação a crimes sexuais, diz pesquisa

SÃO PAULO - São Paulo aparece ao lado de Nova Deli, a capital da Índia, como a megacidade em que mulheres mais sofrem risco de enfrentar uma violência sexual e assédio, segundo uma pesquisa da Fundação Thomson Reuters divulgada nesta segunda-feira. Para quem não se lembra, há cinco anos uma estudante de 23 anos morreu após sofrer estupro coletivo dentro de um ônibus naquele país. O episódio causou grande comoção, levando milhares às ruas pedindo punições mais severas contra crimes sexuais.

A pesquisa, feita em julho último, é baseada em percepções de 380 professores, formadores de opinião, ONGs etc sobre questões relacionadas a assédio e violência sexual em 19 megacidades, cada uma com mais de 10 milhões de habitantes. Eles também avaliaram práticas culturais nocivas para as mulheres e o acesso delas aos cuidados de saúde e às oportunidades econômicas. Cada questão apresentada recebia notas de 1 a 15, sendo um o pior cenário.

Com população estimada de 21,3 milhões de moradores, São Paulo foi vista como a 11ª pior metrópole para as mulheres, no geral: ela foi a sexta mais criticada no quesito acesso à saúde, incluindo controle sobre a saúde reprodutiva e a mortalidade materna. Quanto ao acesso a oportunidades econômicas e de educação, a megacidade está entre os dez piores serviços.

No quesito práticas culturais nocivas contra mulheres como mutilações genitais femininas e casamentos forçados, entretanto, São Paulo foi apontada como a terceira melhor pelos entrevistados, atrás de Buenos Aires e Moscou.

A chefe da ONG UN Women in India, Rebecca Reichmann Tavares, que já atuou no Brasil, comentou o ranking no site da Fundação. Para ela não chega a ser uma surpresa.

— Não estou surpresa com os resultados porque eles são baseados em percepções. Índia e Brasil ganharam muita atenção da mídia nessa questão de violência sexual nos últimos anos — avaliou ela, para continuar.

— A violência sexual em ambas as cidades é, claro, uma realidade, mas não há dados definitivos para sugerir que as taxas são mais altas em Deli e São Paulo do que em qualquer outra cidade.

São Paulo teve 2,3 mil estupros relatados em julho deste ano, em comparação com 2.9 em 2016, segundo dados do governo, mas o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que apenas 10% dos casos de estupro são relatados. No mesmo período, em Deli, a polícia registrou 2,1 mil estupros, um aumento de 67% em relação a 2012, segundo a polícia.

A capital do Egito, Cairo, foi classificada como a cidade mais perigosa para as mulheres em geral e a terceiro pior em violência sexual, seguida pela cidade do México e Dhaka, a capital e a maior cidade de Bangladesh. Tóquio foi vista como a cidade mais segura para mulheres em termos de violência sexual.

Em seu site, a Fundação lembra caso recente de violência contra a mulher ocorrido em São Paulo, do homem que ejaculou em duas passageiras dentro de um ônibus, em setembro último, numa mesma semana. Quatro dias após ser liberado do primeiro ato, Diego Ferreira de Novaes, de 27 anos, foi preso em flagrante na mesma região. Este episódio levou milhares de mulheres às redes sociais para exigir melhor apoio e acesso à justiça.

Outro caso recente ocorrido na capital e que chocou a população foi o do suspeito de ter se passado por um policial federal para sequestrar e estuprar mulheres. Adson Muniz Santos, de 34 anos, foi preso após abordar uma vítima na saída de uma delicatessen na região dos Jardins, em área nobre da cidade, no início do mês. Segundo investigadores, ele portava um distintivo falso e uma arma de brinquedo.

Ao longo da última semana, outras mulheres divulgaram áudios, textos e fotos alegando terem sofrido tentativas do golpe por parte do suspeito. Em todas as situações, que ocorreram em pontos próximos na capital paulista, as abordagens foram descritas de forma parecida: o homem se identificava como policial, mostrando o distintivo, e pedia que a mulher abrisse o vidro e encostasse o carro para que ele pudesse aplicar uma multa.

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