O sangue-de-drago é o nome popular dado à seiva avermelhada extraída do tronco de árvores do gênero Croton, entre elas a Croton lechleri, encontradas em áreas da Amazônia. Populações indígenas e ribeirinhas usam há gerações a resina aplicada diretamente sobre cortes, picadas de inseto e feridas na pele, atribuindo a ela efeito cicatrizante e anti-inflamatório — um conhecimento tradicional que despertou o interesse de pesquisadores brasileiros e estrangeiros nas últimas décadas.
Fora do Brasil, esse interesse já resultou em um produto regulado: o crofelemer, medicamento derivado do látex de Croton lechleri, foi aprovado pela agência sanitária dos Estados Unidos (FDA) para tratar diarreia crônica em pacientes com HIV/Aids em terapia antirretroviral. É um dos raros casos de um composto vegetal amazônico transformado em fármaco com aprovação regulatória internacional.
No Brasil, o interesse científico é mais recente e ainda está em fase de testes. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) estuda o cultivo da planta em diferentes tipos de solo na Amazônia central, enquanto um projeto apoiado pelo Programa Prioritário de Bioeconomia desenvolve, em parceria com um instituto federal do Acre, um creme dermocosmético à base da seiva para auxiliar na cicatrização de feridas e no aspecto de queloides — uma pesquisa que ainda não tem resultados publicados e não deve ser confundida com tratamento comprovado.
Um estudo publicado na Revista Fitos, ligada à Fiocruz, testou em laboratório um extrato comercial de sangue-de-drago e encontrou efeitos tóxicos, citotóxicos e genotóxicos nas células analisadas, alertando para o risco do uso indiscriminado do produto vendido sem regulação. Por isso, mesmo com histórico de uso tradicional e uma aplicação farmacêutica reconhecida lá fora, o sangue-de-drago não deve ser usado como automedicação: extratos concentrados exigem orientação de um profissional de saúde, e o uso popular da resina não substitui diagnóstico nem tratamento médico.




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