Hoje, 7 de outubro, é o Dia do Compositor Brasileiro, data lembrada no país principalmente por nomes como Heitor Villa-Lobos, Tom Jobim e Chico Buarque. No Amazonas, porém, a efeméride ecoa em um gênero musical que não existe em nenhum outro lugar do Brasil: a toada de boi-bumbá, criada especificamente para embalar a disputa entre Garantido e Caprichoso no Festival Folclórico de Parintins.
Compor toada é um ofício que vira carreira. Adriano Aguiar, do Caprichoso, soma mais de 80 toadas em 17 anos de trabalho desde sua primeira composição aprovada, em 2007, mantendo uma média de quatro a cinco músicas novas por festival. Do lado do Garantido, Paulinho DU Sagrado carrega 40 anos de envolvimento com a cultura do boi, iniciado ainda aos 9 anos de idade, e assina clássicos que não saem da memória do público nas arquibancadas.
A tradição é ainda mais antiga do que os nomes mais conhecidos hoje. Mestre Ambrósio, um dos compositores históricos do Garantido, criava suas toadas usando apenas uma caixa de fósforo para marcar o ritmo, e dedicou a vida inteira apenas ao boi branco. Já Raimundinho Dutra, do Caprichoso, começou a escrever toadas aos 14 anos, transformando versos de poesia em música — prova de que o gênero nasceu da tradição oral muito antes de virar fenômeno de arena e de premiações nacionais de música.
Esse legado é o motivo pelo qual, neste Dia do Compositor Brasileiro, o Amazonas tem nomes próprios para celebrar: artistas que, arena após arena, transformam disputa de torcida em patrimônio musical reconhecido fora da Amazônia.
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