RIO - O dólar passou a subir, e a Bolsa aprofundou sua queda na tarde desta terça-feira, após a presidente do Federal Reserve (Fed) ter reafirmado que a intenção do banco central dos EUA é seguir aumentando juros se a economia do país mantiver seu vigor. O dólar comercial — que chegou a cair pela manhã a R$ 3,094, menor valor desde junho de 2015 — agora sobe 0,1%, a R$ 3,113. No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 0,47%, aos 66.655 pontos, após cinco pregões de altas. Yellen disse que o Fed provavelmente precisará elevar a taxa de juros em uma das próximas reuniões, embora tenha indicado incerteza considerável sobre a política econômica com a administração do presidente Donald Trump. Ela acrescentou ainda, durante audiência no Senado norte-americano, que adiar aumentos dos juros seria "insensato".
Janet Yellen disse que o Fed provavelmente precisará elevar os juros em uma das próximas reuniões, embora tenha indicado incerteza considerável sobre a política econômica com a administração do presidente Donald Trump. Segundo ela, adiar aumentos dos juros seria "insensato".
Aqui no Brasil, o Banco Central (BC) iniciou rolagem de 6 mil dos chamados contratos de cambial — operação que equivalente à venda da moeda no mercado futuro e contribui para enfraquecer o dólar — com vencimento em março. O ritmo indicou que a intenção do BC é renovar menos da metade dos contratos que vão vencer.
Segundo Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, a tendência de desvalorização do dólar nas últimas semanas se explica, em parte, pela redução do risco geopolítico global depois do temor inicial com a gestão Trump. Por aqui, segundo o estrategista, ajudaram a maior confiança na melhora dos cenários econômico e político e o fortalecimento de commodities importantes para o país, como o minério de ferro e a celulose.
— Isso faz com que haja uma expectativa de que o dólar continue se depreciando. Mas os agentes de mercado estão esperando para ver até onde vai a tolerância do BC com isso. Aparentemente, aos poucos ela está acabando. Hoje, por exemplo, com uma rolagem aquém do necessário para rolar todo o estoque a vencer, ele deu um sinal — afirmou Gomes. — Nossa expectativa é que o BC tolera que o câmbio vá até R$ 3,05. Há uma certa preocupação do setor exportador com relação a desvalorização do dólar.
Depois de alavancarem a Bolsa nos últimos pregões com a disparada do minério de ferro acima dos US$ 90, as ações da Vale operam em baixa hoje. O papel ON (ordinária, com voto) cai 1,89%, enquanto a PN (preferencial, sem voto) recua 1,74%. A Petrobras tem alta de 0,91% (ON) e 0,7% (PN). A Ambev sobe 0,64%, e a BRF, 1,33%. Entre os bancos, o Itaú sobe 0,25%, enquanto o Bradesco cai 0,49% e o BB, 0,73%.



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