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Avanço do petróleo pressiona curvas globais e taxas de juros terminam sessão em alta

Estadão

Seguindo a disparada dos retornos dos Treasuries diante da reescalada do conflito no Oriente Médio, os juros futuros médios e longos aceleraram a alta e ganharam tração rumo ao final do pregão desta quarta-feira, 22, marcado por ganho de inclinação da curva a termo.

O impasse entre Estados Unidos e Irã, que mantém o fluxo no Estreito de Ormuz comprometido, reacendeu temores inflacionários às vésperas de decisões monetárias do Banco Central Europeu (BCE) e do Federal Reserve (Fed), o que pressionou as curvas de juros globais e também o mercado local de renda fixa. Assim como na terça, porém, a liquidez nos negócios foi reduzida, o que amplificou as oscilações das taxas por aqui.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,927%, no ajuste anterior, a 13,95%. O DI para janeiro de 2029 anotou alta a 14,49%, vindo de 14,408% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 avançou a 14,645%, ante 14,593%.

Em igual horário, nos EUA, a taxa da T-note de dois anos avançava de 4,278% para 4,292%; e a da T-note de dez anos subia de 4,629% para máxima intradia de 4,668%. O maior vetor de alta partiu do petróleo, que, no caso do tipo Brent, referência para a Petrobras, fechou perto de US$ 95 o barril, com elevação de 3,4%. Foi a quarta sessão de aumento seguida.

Diretor de investimentos em renda fixa da Inter Asset, Ian Lima aponta que, além da commodity energética, os mercados de juros futuros reagem mais ainda ao preço de gasolina, que, ao longo do dia, atingiu níveis não observados desde meados de maio, considerando o contrato de curto prazo, para agosto.

No Brasil, a inflação responde de forma mais lenta ao aumento do combustível, que é um preço administrado, mas em mercados como os EUA, o efeito é bastante rápido, nota o diretor. "Essa questão é algo mais circunscrito ao mercado de juros, mas a escalada dos preços de energia está ocorrendo quando se avizinha a janela de decisões de bancos centrais", disse. "E é difícil ser 'dove' em um ambiente de energia em elevação", destacou.

Nesta quinta-feira, 23, será a vez de o Banco Central Europeu (BCE) decidir juros. Nesta quarta-feira, três dirigentes da instituição deram tom 'hawkish' a seus discursos, mencionando as incertezas trazidas pelo aumento das hostilidades entre Washington e Teerã, que demanda uma postura cautelosa e vigilante diante do comportamento dos preços de energia.

Para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto, o mercado segue com ampla maioria de apostas concentradas em redução de 0,25 ponto porcentual da Selic, previsão também da Inter Asset. "Não há uma assimetria de alta na projeção, mas é difícil ver uma postura 'dove' do BC", disse Lima.

Algumas instituições estrangeiras, porém, têm chamado mais atenção para o impacto do choque global de oferta no PIB mundial do que na inflação. É o caso da Macquarie, que aponta que a disparada do óleo tem provocado mais preocupações com uma desaceleração do crescimento global do que com um repique da inflação e das expectativas.

"As preocupações com o crescimento global são pertinentes, em nossa avaliação", afirmam os estrategistas Thierry Wizman e Gareth Berry, em relatório. "O cenário está armado para surpresas negativas, caso restrições de oferta voltem a pesar sobre o crescimento global", defendem.

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