BRASÍLIA - Apesar da turbulência política e da não aprovação da reforma da previdência, o Banco Central traçou um cenário mais favorável para o Brasil. As apostas são de retomada de crescimento mais acelerado e de inflação abaixo do centro da meta até 2020. De acordo com o relatório trimestral de inflação, divulgado pela autoridade monetária nesta quinta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve oscilar em torno dos 4% nos próximos três anos. Com a revisão dos números, o BC admitiu que não cumprirá a meta prevista para este ano porque a inflação ficará baixa demais.
A expectativa para índice o usado oficialmente no sistema de metas caiu de 3,2% para 2,8% neste ano. A meta central do governo é de 4,5%, mas há uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Quando descumpre a meta de inflação, o BC tem de mandar uma carta ao ministro da Fazenda para se explicar. Será a primeira vez que um presidente do BC terá de se justificar por entregar uma inflação abaixo do limite.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada está em 2,8%: já abaixo até do limite mínimo para a inflação.
— Inflação baixa, estável e previsível é a melhor contribuição que a política monetária pode dar para o crescimento sustentável — frisou o diretor de política econômica do BC, Carlos Viana, que alertou:
— Inflação alta e volátil gera distorções, aumenta riscos, encurta horizontes de planejamento, prejudica investimentos e o crescimento econômico. Reduz crescimento potencial, afeta geração de empregos e renda, piora distribuição de renda.
A projeção do Banco Central para a inflação do ano melhorou levemente. E baixou de 4,3% para 4,2%. Nos dois anos seguintes, o IPCA deve orbitar por volta de 4%, nos cálculos feitos pelo BC e que levam em conta as projeções do mercado. No entanto, a autoridade monetária alerta que os números podem mudar para melhor se a reforma da previdência for aprovada.
“As projeções aqui apresentadas dependem ainda de considerações sobre a evolução das reformas e ajustes necessários na economia. Seus efeitos sobre as projeções são capturados por meio dos preços de ativos, do grau de incerteza, das expectativas apuradas pela pesquisa Focus e através do seu efeito na taxa de juros estrutural da economia. Além desses canais, a política fiscal influencia as projeções condicionais de inflação por meio de impulsos sobre a demanda agregada”, diz o relatório.
O BC aumentou a previsão de crescimento para este ano e para o ano que vem. A aposta para 2017 subiu 0,7% para 1% em 2017. Para 2018, a estimativa é de uma expansão da atividade muito mais forte. A expectativa aumentou de 2,2% para 2,6%.

