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Ceron, sobre Eco Invest: mercado será capaz de escolher projetos com maior potencial

Estadão

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse nesta quinta-feira, 27, que o quinto leilão do Eco Invest, programa do governo que mobiliza capital privado internacional para financiar a transição ecológica, vai completar o ciclo, de ponta a ponta, e consolidar estratégias construídas ao longo dos leilões anteriores.

Durante a abertura de um encontro sobre o tema promovido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Ceron frisou que o novo leilão vai mobilizar recursos para apoiar desde o empreendedorismo de base tecnológica em universidades até projetos em estágio mais maduro e com maior necessidade de capital.

Segundo o secretário, o governo entende que o mercado privado terá capacidade de escolher os projetos com maior potencial, seguindo as diretrizes do programa. A evolução do Eco Invest, pontuou Ceron, passou por fases distintas, e o quinto leilão vem para ligar todas as pontas do ecossistema.

O primeiro certame, lembrou Ceron, priorizou projetos mais maduros, com estágio comercial avançado, enquanto o segundo teve recorte temático, voltado à recuperação de terras degradadas, e o terceiro marcou uma mudança relevante, ao mudar o foco para a priorização de equity.

Ele destacou que o terceiro leilão mobilizou mais de R$ 80 bilhões em demanda por recursos, com homologação de R$ 50 bilhões, valor que classificou como expressivo para operações de equity -, incluindo um compromisso de aplicação de R$ 11 bilhões nas empresas em estágio inicial (capital semente).

Conforme Ceron, a ideia é criar condições para que o mercado privado tenha protagonismo na seleção e estruturação das iniciativas. Ele reconheceu que o modelo traz exigências e contrapartidas que elevam o "custo de transação" e tiram os participantes da "zona de conforto". Porém, argumentou que isso faz parte do desenho para incentivar um ecossistema privado com previsibilidade e horizonte de longo prazo.

De acordo com Ceron, embora o financiamento de projetos maduros esteja bem endereçado, ainda é preciso ampliar a carteira de bons projetos no começo do ciclo, especialmente os inovadores. Para isso, o leilão pretende mexer "nesse ponteiro da geração de projetos", com mecanismos voltados à pesquisa aplicada, empreendedorismo e estruturação de fundos capazes de destravar novos ativos e cadeias produtivas.

O quinto leilão do Eco Invest vai direcionar recursos para seis cadeias estratégicas: fertilizantes verdes, combustíveis avançados, inteligência artificial, minerais críticos, sistemas de armazenamento de energia e química verde.

O programa conta com apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e busca atrair capital privado para multiplicar o investimento público, com instrumentos como proteção cambial e linhas competitivas. Esse arranjo, segundo Ceron, pretende gerar "ganha-ganha" para a sociedade, investidores e setor público.

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