RIO E SÃO PAULO - Com a volta das intervenções do Banco Central, o dólar comercial encerrou os negócios em queda de 0,80% nesta terça-feira, cotado a R$ 3,213. Na mínima do pregão, a divisa americana chegou a R$ 3,198. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), às 17h04, subia 1,12%, aos 64.550 pontos, impulsionada pela perspectiva de que a continuidade da queda de juros irá contribuir para a recuperação da economia brasileira.
— O BC está se antecipando a uma possível pressão que deverá começar na quinta-feira, por conta da posse do Trump — explica Jaime Ferreira da Rocha Junior, diretor de câmbio da Intercam Corretora. — Hoje o mercado não tem muitos índices. Com agenda fraca, ficaremos atentos à volta do mercado americano, depois do feriado de ontem por lá.
Nessa nova atuação do BC no mercado, está sendo feita a rolagem de cerca de US$ 6,4 bilhões em contratos de swap tradicional que vencem no dia 1º de fevereiro. Os contratos vão vencer entre maio e junho e garantem a liquidez no mercado, já que o efeito dessa operação é de uma venda de moeda no mercado futuro. "A justificativa dada pela equipe é a de dar liquidez para o mercado", comentou, em relatório, a Elite Corretora.
A autoridade monetária, que não entrava no mercado desde o dia 13 de dezembro, informou ontem, após o fechamento do mercado, que faria nesta manhã a rolagem dos contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 1º de fevereiro. A intervenção acontece às véspera da posse de Donald Trump, na sexta-feira. Na segunda-feira, a divisa subiu 0,49%.
Os temores são de que o republicano implante uma política econômica inflacionária, o que pressionaria o Federal Reserve (Fed, o BC americano) a aumentar ainda mais os juros e atrair para a maior economia do mundo recursos hoje aplicados em outras praças, como a brasileira.
Em Davos para o Fórum Econômico Mundial, ou falta de liquidez. No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o câmbio não preocupa o governo no momento:
— O fato concreto é que nós temos uma taxa de câmbio flutuante e estamos bastante confortáveis com o nível de taxa de câmbio que prevalece no Brasil — disse.
Na avaliação de Rogério Freitas, sócio diretor da Teórica Investimentos, a alta da Bolsa é sustentada pela percepção de que, após a aceleração do corte da taxa de juros, os investidores veem espaço para uma recuperação da economia brasileira ainda em 2017, mesmo que de forma lenta. Isso acaba se refletindo no preço das ações.
— O cenário de Brasil está começando a ter uma mudança, um reconhecimento que podemos ter uma recuperação um pouco melhor e a economia sair do limbo em que se encontrava. Os investidores, e não só os locais, veem a possibilidade de uma surpresa positiva ao longo do ano — avaliou.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu o juro em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano. Após a divulgação, nesta manhã, da ata do encontro, a expectativa é que a autoridade monetária mantenha o ritmo das reduções.
Em meio a esse cenário, as ações da mineradora Vale, que ontem subiram mais de 3%,hoje devolvem parte dos ganhos. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) caem 0,89% e as ordinárias (ON, com direito a voto) registram variação negativa de 3,07%. A variação acompanha a queda do minério de ferro na China. No porto de Qingdao, a commodity teve recuo de 2,51%, depois de uma disparada de 3,86% ontem.
A queda dos papéis da Vale é compensada pelo desempenho da Petrobras e do setor bancário, o que possui o maior peso na composição do Ibovespa.
As preferenciais da Petrobras sobem 1,20%, cotadas a R$ 15,94, e as ordinárias registram variação positiva de 0,32%, a R$ 18,31.
No setor bancário, as preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco sobem, respectivamente, 2,58% e 3,08%. No caso do Banco do Brasil, a valorização é de 1,54%.



