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Com venda de ações, BNDES tem lucro recorde de R$ 17,7 bilhões em 2019

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fechou 2019 com lucro recorde de R$ 17,7 bilhões, impulsionado pelas vendas de participações acionárias em outras empresas. O resultado é 164% maior do que os R$ 6,7 bilhões registrados em 2018. No quarto trimestre de 2019, o lucro do BNDES foi de R$ 1,2 bilhão, 2,5 vezes o resultado do mesmo período do ano anterior. Segundo balanço divulgado pelo banco estatal de fomento nesta quarta (11). O lucro anual rendeu ao governo R$ 7,9 bilhões em dividendos. Outros R$ 2,2 bilhões foram direcionados a uma reserva de dividendos e poderão ser transferidos ao Tesouro por determinação do conselho de administração. Em 2019, o resultado do BNDES com participações societárias resultou em lucro de R$ 11,4 bilhões. Durante o ano, o banco vendeu ações de Fíbria/Suzano, Petrobras, Eletropaulo e Vale. No total, a receita com a venda das participações foi de R$ 16,5 bilhões. Ao fim do ano, a carteira de participações acionárias do BNDES valia R$ 111,9 bilhões, alta de 18,2% em relação ao fim de 2018, apesar da venda de ações durante o ano. A evolução reflete a melhora no mercado de ações durante o ano. Em 2020, o ritmo de vendas continua: até agora, o banco de desfez de fatias na distribuidora de eletricidade Light e no frigorífico Marfrig, além da oferta pública de Petrobras que movimentou R$ 23 bilhões, a maior operação do tipo na bolsa brasileira desde a capitalização da estatal, em 2010. Considerando a oferta de Petrobras,, diz o banco, a participação da estatal em sua carteira de ações cai para 55% para 39%. As vendas de ações em 2020 renderam ao BNDES um lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, que serão contabilizados no primeiro trimestre - deste total, a Petrobras foi responsável por R$ 4,6 bilhões. Com a queda da bolsa nas últimas semanas, porém, o valor das participações que o BNDES tem em empresas era de R$ 88,1 bilhões na última sexta (6). Segundo a diretoras do BNDES Bianca Nasser, a perda de valor reforça a estratégia de venda de ações para reduzir impactos da volatilidade das bolsas sobre suas finanças. Montezano disse que é difícil prever novos processos de venda em meio à crise. "O sinal é de espera, é difícil precificar qualquer tipo de ação que a gente queira levar a público", disse ele. "O evento que a gente tem hoje é único, não é financeira, então a gente tem que entender." Em 2019, o BNDES desembolsou R$ 55 bilhões, o menor valor nominal desde 2007. Montezano diz que a preocupação hoje não são os desembolsos, mas o impacto na sociedade. "Nossa preocupação é melhorar a vida das pessoas. Não estamos preocupados com volume de desembolso", afirmou. A carteira de crédito do banco apresentou redução durante o ano, passando de R$ 497,1 bilhões para R$ 441,8 bilhões. A queda é fruto de liquidações de empréstimos (R$ 115 bilhões ordinárias e antecipações de R$ 29 bilhões) em volume superior ao de contratações de novos financiamentos. O banco defendeu ainda que a nova estratégia, aliada a juros mais baixos, permitiu o aumento da participação privada no mercado de crédito. Em 2019, diz, as emissões no mercado somaram R$ 386 bilhões, contra R$ 249 bilhões no ano anterior. Em 2014, por exemplo, o BNDES desembolsou R$ 188 bilhões e as emissões privadas somaram R$ 159 bilhões.​ "Isso demonstra que o reposicionamento com foco na pequena e média empresa e na infraestrutura não prejudica grandes empresas, que passaram a ter acesso a outras fontes de financiamento", disse Montezano. ​Em 2019, o banco devolveu antecipadamente R$ 100 bilhões ao Tesouro, referentes a recursos emprestados a juros subsidiados durante os governos petistas, ajudando o governo Bolsonaro a reduzir o déficit fiscal durante o ano. Ao todo, o banco repassou ao Tesouro R$ 132,5 bilhões durante o ano —além das devoluções, foram R$ 23 bilhões em pagamentos pelos empréstimos e R$ 9,5 bilhões em dividendos. Para 2020, a expectativa é que sejam o pagamento de empréstimos do Tesouro seja de R$ 17 bilhões. Pela segunda vez, o banco fez a divulgação do balanço em evento aberto ao público e transmitida pela internet. Na apresentação, de 47 páginas, a direção do BNDES aproveitou para ​prestar contas de sua nova estratégia, que tem entre um dos focos a prestação de serviços a governos na estruturação de investimentos. São hoje 57 projetos em desenvolvimento —os setores com maior número, saneamento e iluminação pública, têm nove projetos, cada um. No saneamento, os principais projetos teriam potencial de R$ 45,8 bilhões em investimentos. O BNDES prevê cinco leilões de saneamento em 2020, quatro deles de concessão (Alagoas, Acre, Amapá e Rio) e um de parceria público-privada, em Cariacica (ES). Outros dois, no Rio Grande do Sul, estão previstos para 2021. "Nosso plano é dar um foco bastante grande em saneamento", disse o diretor do banco Fábio Abrahão.

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