A inflação oficial praticamente estacionou em julho: o IPCA, medido pelo IBGE, variou 0,07%, contra 0,16% em junho. No acumulado do ano o índice está em 3,44% e, em 12 meses, recuou para 4,44%. O número quase zerado, porém, é a média de movimentos que puxaram para lados opostos dentro da casa de quem mora em Manaus — a comida ficou mais barata, enquanto a conta de luz e o preço de voar ficaram mais caros.
O alívio veio do prato. O grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,67% no país, com tombos de 29,09% no tomate e de 19,59% na batata. No Amazonas, o efeito apareceu na conta do mercado: a cesta básica em Manaus custou R$ 697,80 em julho, uma queda de 4,79% em relação a junho, segundo o levantamento mensal do Dieese em parceria com a Conab. Além do tomate, recuaram café em pó, manteiga, leite integral, carne de primeira, arroz e pão francês. Feijão carioca, banana e farinha de mandioca foram na direção contrária. Mesmo mais barata, a cesta ainda consome 46,54% do salário mínimo líquido, e quem ganha o piso precisou trabalhar 94 horas e 42 minutos para comprá-la. No acumulado de 2026, ela segue 12,47% mais cara.
A pressão ficou concentrada em duas despesas que doem em Manaus. A energia elétrica residencial subiu 3,09% no mês, empurrada pela bandeira amarela, que segue em vigor em agosto e cobra R$ 1,885 a mais a cada 100 kWh consumidos — a Aneel manteve o patamar por causa da estiagem, que reduz a geração das hidrelétricas e obriga a acionar térmicas mais caras. E a passagem aérea disparou 11,67%, o maior peso individual do mês. Para quem mora numa capital em que o avião é praticamente a única saída para o resto do país, o aumento não é detalhe: encarece férias, tratamento de saúde fora do estado e viagem de trabalho. Já os combustíveis deram trégua, com queda de 1,37% na gasolina, 2,26% no etanol e 1,22% no óleo diesel.
No crédito, o cenário segue apertado, mas com sinal de melhora. O Copom cortou a Selic pela quarta vez seguida em 5 de agosto, levando os juros básicos de 14,25% para 14,00% ao ano em decisão unânime. É uma queda lenta, e o efeito no cartão, no financiamento do carro e no empréstimo pessoal costuma demorar meses para chegar. Quem pretende comprar importado, viajar para fora ou parcelar uma compra grande deve continuar sentindo o custo alto no curto prazo, enquanto a conta de luz e a passagem aérea seguem como os itens que mais devem apertar o orçamento familiar no Amazonas neste segundo semestre.



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