RIO - A inflação mais baixa que a expectativa do mercado reforçou as apostas de que o Banco Central continuará a cortar os juros nos próximos meses. Hoje, já há quem espere que a taxa básica, a Selic, fique abaixo de 7% ao ano. A referência é a base para os juros do mercado, cobrados de consumidores e empresas.
O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia na tarde desta quarta-feira a decisão sobre os juros. A expectativa é de que a taxa seja cortada em 1 ponto percentual, para 8,25% ao ano. Para a economista-chefe da ARX, a autoridade monetária levará o IPCA em consideração nesta e nas próximas reuniões para definir o destino dos juros.
— Não dá para desmerecer o IPCA por ele estar sendo jogado pelos alimentos. O BC tem salientado que vai olhar esses efeitos secundários do choque deflacionário. Se pegarmos o conjunto da obra, ainda há espaço para cortes acelerados. Espero que BC deixe claro no comunicado de hoje como vai agir nas próximas reuniões — afirmou a analista, em entrevista à agência Bloomberg.
A economista avalia que o “cenário base” é de que os próximos cortes sejam no estilo escadinha: 0,75 ponto em outubro e mais 0,5 ponto em dezembro. Mas ela não descarta que o BC continue com o ritmo atual, o que levaria a Selic para baixo do patamar de 7% ao ano.
— Se o processo deflacionário se mantiver nos próximos meses, há chances de Selic terminar abaixo de 7% — avalia Solange.
Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica, também vê chances de que o IPCA mais baixo acelere o processo de corte de juros. Também à agência Bloomberg, ele avalia que o IPCA fechará abaixo do piso da meta. Ele destacou ainda que o INPC negativo de agosto é sinal de “alívio para tudo que é indexado ao salário mínimo”, como a Previdência.
O IPCA ficou em 0,19% em agosto, taxa menor que a esperada pelo mercado. A taxa mais baixa foi puxada pelos alimentos, que recuaram 1,07% no mês.

