O IBGE confirmou nesta semana que os preços ao consumidor recuaram 0,32% em agosto, resultado mais forte de queda do que o esperado e que sucede uma alta discreta de 0,07% em julho. No acumulado do ano, a inflação oficial já soma 3,11%, enquanto o índice em 12 meses está em 4,22% — ainda acima do centro da meta, mas em trajetória de desaceleração. A queda foi puxada por um conjunto pouco comum de fatores: energia elétrica mais barata, passagens aéreas e combustíveis em recuo e uma safra de hortaliças que jogou para baixo o preço de itens como batata, cebola e tomate.
Para o bolso de quem mora em Manaus, o item que mais chama atenção é a conta de luz. Parte do recuo em agosto reflete um crédito bilionário pago pela Itaipu Binacional, repassado às distribuidoras para reduzir a tarifa da grande maioria dos consumidores residenciais e rurais conectados ao sistema elétrico nacional — rede da qual o Amazonas faz parte desde a entrada em operação do chamado Linhão de Tucuruí. Isso significa que o efeito também deve aparecer nas faturas de setembro na capital amazonense, ainda que o tamanho exato do desconto varie conforme o consumo de cada residência.
O recuo de quase 1% nos preços de transporte, puxado por combustíveis e passagens aéreas mais baratas no mercado nacional, tende a chegar a Manaus com menos intensidade, já que o preço dos combustíveis na cidade segue pressionado por custos logísticos próprios do transporte fluvial e rodoviário até a região. Ainda assim, a tendência de baixa nas refinarias e no mercado de aviação é um alívio a mais para quem depende de carro, moto ou passagem aérea para se locomover ou viajar para fora do estado nas próximas semanas.
Já no caso da alimentação, a queda de quase 20% no preço da batata e de mais de 10% na cebola e no tomate no levantamento nacional é um sinal positivo para a cesta básica, embora o impacto real na gôndola do supermercado em Manaus dependa do tempo de chegada desses produtos, em grande parte vindos de outras regiões do país. O aviso importante é que a inflação em 12 meses segue em 4,22%, ou seja, mesmo com o respiro de agosto, o custo de vida acumulado do último ano continua elevado — o que reforça a recomendação de comparar preços e aproveitar promoções pontuais antes de comemorar uma alta no poder de compra.



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