SÃO PAULO — A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) conseguiu comercializar 31 dos 35 lotes ofertados no leilão de transmissão realizado nesta segunda-feira na B3 (ex-BM&F Bovespa). Os vencedores dos lotes vendidos terão de investir R$ 12,7 bilhões em instalações que devem entrar em funcionamento em prazos que variam de 36 a 60 meses.
O deságio médio oferecido pelos vencedores foi de 33,7%. Mas, em alguns trechos, por conta da ampla disputa, o desconto superou 50%.
Para Moreira Franco, ministro-chefe do Secretaria-Geral da Presidência, e para Fernando Bezerra Filho, ministro de Minas e Energia, o resultado do leilão foi um “sucesso” e mostra a retomada na confiança na economia brasileira.
— O importante desse leilão é que o deságio foi mais alto e isso significa preços mais baixos (de energia) para o consumidor — afirmou Moreira Franco, para completar: — Com esse leilão estamos completando 50% de realização de concessões dos ativos apresentados na primeira reunião do PPI (Programa Parcerias de Investimentos) — salientou.
Foram oferecidas concessões para construção, operação e manutenção de 7,4 mil quilômetros de linhas de transmissão em 20 estados, com investimento previsto de R$ 13,1 bilhões. Como quatro lotes não tiveram interessados, o investimento total terminou em R$ 12,7 bilhões.
Entre os principais lotes leiloados estão linhas entre Minas Gerais e São Paulo (lote 19), que tinha valor máximo de R$ 390,8 milhões, que foi arrematado com deságio de 47,4% pela EDP. O lote 18 de linhas entre São Paulo e Rio de Janeiro, arrematado por consórcio formado pela Alupar e pela Apollo 12 Participações, foi o mais disputado, com 15 propostas, chegando a um deságio de 48% sobre valor máximo de R$ 190 milhões.
A empresa que mais comprou neste leilão foi a CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) com o arremate de quatro lotes individualmente (5,6,25,29) e um em consórcio (lote 1). O maior deságio do leilão 58,87% ocorreu no lote 10, arrematado pela indiana Sterlite Power Venture, estreante no Brasil.
O lote 1, por sua vez, representou o maior investimento do leilão, de R$ 1,9 bilhão, e foi arrematado pelo Consórcio Columbia, formado pela transmissora Aliança de Energia Elétrica 50% e pela CTEEP 50%.
Ainda arremataram empreendimentos a geradora e transmissora privada Alupar, a Energisa, que atua principalmente em distribuição, e a Vinci Infra, além de outras empresas menos conhecidas no setor, como Arteon Z Energia, e os consórcios LT Norte e Cesbe-Fasttel.
Fora esses grupos, participaram ainda do leilão, sem vencer nenhuma disputa até o momento, as elétricas Copel Engie, Equatorial e CPFL, além da italiana Enel, dos grupos financeiros BTG Pactual e Pátria e de empresas de engenharia, como Zopone Engenharia e Geogroup Engenharia.
No último leilão, ocorrido em outubro do ano passado, 3 dos 21 lotes oferecidos ficaram encalhados. O deságio médio foi de 12,07% e a remuneração anual contratada das vencedoras ficou em R$ 2,124 bilhões.

