SÃO PAULO — O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta terça-feira que sua pasta está “muito alerta” aos próximos desdobramentos da Operação Carne Fraca, que devem conter “uma delação premiada de um servidor”. A Carne Fraca foi deflagrada em março de 2017 e investiga esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos por meio do pagamento de propina a fiscais do Ministério.
— Existe uma preocupação com o Paraná, de ter uma delação premiada de um servidor. A hora que vier a público (essa delação premiada), vai chacoalhar o Paraná — disse ele em conversa rápida com jornalistas em São Paulo.
O GLOBO confirmou a existência de um acordo de colaboração com fontes ligadas à investigação. A delação a que o ministro se refere é a de Daniel Gonçalves, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná. De acordo com essas fontes, Gonçalves relatou irregularidades relacionadas à BRF e a frigoríficos de outras empresas.
A terceira fase da Operação Carne Fraca, chamada de Operação Trapaça, ocorreu na segunda-feira da semana passada. Maggi fez questão de frisar que a investigação da Polícia Federal é referente às práticas de 2014 e 2015.
— De lá pra cá, nós temos condição de dizer que muita coisa mudou. Muita coisa melhorou. Muita coisa foi reanalisada. O Ministério da Agricultura subiu as regras, nós suspendemos várias plantas de exportação antes que eles fizessem isso por nós porque checamos que não estava correto — disse, completando que a atuação do Ministério agora é “proativa”.

