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Na contramão de NY, Ibovespa retorna a nível de 27 de março, com queda de 1,19%

Estadão

Abaixo dos 182 mil pontos nas mínimas da sessão, e na contramão de novas máximas no S&P 500 e no Nasdaq, referências de Nova York, o Ibovespa voltou ao campo negativo nesta abertura de semana, encerrando o dia no menor nível desde 27 de março. Ao fim, o índice da B3 marcava 181.908,87 pontos, em baixa de 1,19%, entre piso de 181.614,83 e teto de 184.530,15 pontos, saindo de abertura aos 184.102,86. O giro financeiro foi de R$ 29,2 bilhões.

O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, à medida que os traders avaliam os entraves nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o cessar-fogo com o Irã está por um fio, após rejeitar a contraproposta de Teerã para encerrar a guerra, no fim de semana, a qual Trump considerou como "totalmente inaceitável".

O WTI para junho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em alta de 2,78% (US$ 2,65), a US$ 98,07 o barril, enquanto o Brent para julho, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu 2,88% (US$ 2,92), a US$ 104,21 o barril.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta segunda-feira que as Forças Armadas iranianas estão prontas para responder a qualquer ação militar contra o país, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos e ao impasse nas negociações diplomáticas entre Washington e Teerã.

No início da tarde, contudo, Trump disse acreditar em uma solução pacífica entre as partes. "É bem possível que haja uma solução diplomática com o Irã", afirmou. Em paralelo, o índice amplo de Nova York, o S&P 500, renovou recorde histórico intradia e, pouco depois, também o tecnológico Nasdaq. Trump afirmou também que manterá reduzido o imposto federal sobre a gasolina enquanto for necessário.

No fechamento, Dow Jones +0,19%, S&P 500 também +0,19% e Nasdaq +0,10%, em novos recordes de encerramento tanto para o S&P 500 como para o Nasdaq.

"O mercado começou a semana dividido entre dois vetores: de um lado, a continuidade do impasse no Oriente Médio, que voltou a pressionar o petróleo e os juros; do outro, a força das empresas de tecnologia, especialmente semicondutores, que ajudou a sustentar parte do apetite por risco no exterior", resume Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

Na B3, o forte desempenho dos carros-chefes das commodities, Petrobras (ON +1,40%, PN +1,66%) e Vale (ON +2,41%), não foi o suficiente para compensar a correção acentuada no setor financeiro, o segmento de maior peso no Ibovespa. No fechamento, Itaú PN -2,25%, BTG Unit -2,88%, Santander Unit -2,52%, Bradesco ON -2,29% e PN -2,69%. Na ponta perdedora do Ibovespa, C&A -7,69%, Cogna -6,38% e Rede D'Or -6,11%. No lado oposto, além de Vale, apareceram Minerva (+4,88%) e Braskem (+2,34%).

"Os mercados estão começando a se adaptar. Os preços do petróleo continuam altos, mas diminuíram recentemente devido a uma combinação de destruição da demanda e aumento da produção em outras regiões. As ações dos EUA continuam renovando máximas, enquanto as ações europeias ficam para trás, e o dólar parece ter retomado sua queda gradual frente à maioria das moedas", diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury. No fechamento do câmbio no Brasil, o dólar à vista foi negociado a R$ 4,8914, em leve baixa de 0,05% na sessão.

"A questão mais crítica é saber se o impacto direto do aumento dos preços da energia irá se espalhar para pressões inflacionárias mais amplas. O relatório de inflação de abril dos EUA, que será divulgado na terça-feira, oferecerá uma das primeiras visões diretas desse problema. Economistas esperam apenas uma recuperação modesta no núcleo da inflação, mas a incerteza é alta", acrescenta.

Para Rubens Cittadin, especialista em renda variável da Manchester Investimentos,o Ibovespa segue em um movimento de realização de lucros, dando prosseguimento ao ajuste que se impôs desde a mais recente máxima histórica, em 14 de abril, então a 198,6 mil naquele fechamento e na casa de 199 mil pontos no intradia. "Há fluxo estrangeiro saindo do Brasil e, em certa medida, fazendo uma rotação em direção a Vale e Petrobras", acrescenta. No ano, Vale sobe 15,97%, enquanto Petrobras ON avança 57,60% e a PN, 52,38%, comparados a 12,90% para o Ibovespa.

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