SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Investidores digeriam nesta quinta-feira (7) a possibilidade de lidar com um ambiente menos favorável aos investimentos mais arriscados, como os mercados de ações, principalmente os de países emergentes, como é o caso do Brasil.
A Bolsa de Valores do Brasil, porém, iniciava nesta tarde um aparente movimento de descolamento do mau humor externo. Apoiado basicamente na alta da Petrobras, cujos nomes dos indicados para comandar a estatal eram celebrados por investidores, o índice de referência para as ações domésticas abandonava as perdas das primeiras horas do pregão. Às 15h10, o Ibovespa subia 0,23%, a 118.494 pontos.
A divulgação na véspera da ata da reunião realizada em março pelo comitê de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) reforçou a percepção de que a inflação global, ampliada pela guerra na Ucrânia, levará a uma alta mais agressiva dos juros e à redução de outros estímulos econômicos.
Em um cenário de maior aversão ao risco, o dólar ganhava força nesta quinta frente a moedas que valorizadas no último trimestre. O real aparecia nesta tarde como a terceira divisa com o pior retorno à vista em relação à moeda americana, atrás apenas do peso chileno e do rand sul-africano , de acordo com ranking da Bloomberg com 24 países em desenvolvimento.
No mercado de câmbio brasileiro, o dólar comercial estava cotado a R$ 4,7460, o que representa uma alta de 0,65% em relação ao dia anterior.
Depois de fortes baixas generalizadas no dia anterior, os mercados globais de ações ainda apresentavam perdas na tarde desta quinta, embora com quedas menores em relação à véspera.
Nos Estados Unidos, o indicador de referência S&P 500 cedia 0,06%. Os índices Dow Jones e Nasdaq perdiam 0,14% e 0,71%, nessa ordem.
Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em queda de 0,47%. Paris perdeu 0,57%. Frankfurt recuou 0,52.
Mais cedo, os mercados asiáticos também fecharam em queda. Tóquio perdeu 1,69%. Hong Kong caiu 1,23%. Na China continental, houve queda de 1,28% do índice que segue empresas de Xangai. Os 26 milhões de habitantes da cidade enfrentam restrições de circulação devido ao crescimento dos casos de Covid-19.
"Acho que temos um pouco de ressaca das atas do Fomc [sigla para comitê de política monetária do Fed]", disse Edward Moya, analista da Oanda, ao The Wall Street Journal.
Moya comentou que os investidores ainda estão tentando entender melhor para onde vai a economia e como isso afeta a política monetária nos Estados Unidos.
De acordo com a ata do banco central americano, alguns dos formuladores da política monetária discutiram realizar mais de um aumento de 0,50 ponto percentual na taxa de juros ao longo deste ano, caso a inflação persista.
Em março, o Fed elevou os juros de referência do país pela primeira vez desde 2018. O aumento aplicado foi de 0,25 ponto percentual, para uma taxa que havia sido rebaixada para perto de zero no início da pandemia de Covid-19. A ata do encontro mostrou que um aumento de meio ponto chegou a ser considerado até mesmo em março.
Inicialmente, porém, analistas avaliavam que todas as altas neste ano seriam de 0,25 ponto percentual.
Agora, além de continuar a elevar a taxa de crédito, a autoridade também deverá iniciar a redução da sua carteira de títulos, que acumula cerca de US$ 9 trilhões (R$ 41 trilhões).
Durante a pandemia, uma das estratégias do Fed para amenizar o resfriamento econômico foi injetar liquidez no mercado por meio da compra mensal de cerca de US$ 120 bilhões (R$ 554 bilhões) em títulos imobiliários e do Tesouro. Esse programa foi encerrado neste ano. Agora, para diminuir o seu balanço patrimonial, o banco permitirá que esses títulos vençam.
A ata aponta que o Fed discutiu reduzir o seu balanço em até US$ 95 bilhões por mês (R$ 446 bilhões) a partir do mês que vem, quando realizará a sua a próxima reunião.
O preço de referência para o petróleo bruto recuava 0,95%, com o barril do Brent cotado a US$ 100,11 (R$ 470,12). O ganho ocorre após uma queda de 5,22% na véspera, provocada pelo anúncio de novas liberações de estoques estratégicos de países para tentar amenizar a redução da oferta da Rússia, cujas exportações foram banidas dos Estados Unidos.
A Agência Internacional de Energia informou nesta quarta que seus países membros concordaram em liberar 120 milhões de barris de petróleo das suas reservas, com os Estados Unidos contribuindo com metade desse volume.
A parte oferecida pelo governo americano virá da retirada geral dos seus estoques estratégicos. O presidente Joe Biden já havia anunciado a liberação de 180 milhões de barris da reserva do país.
PETROBRAS SOBE COM INDICAÇÕES PARA COMANDO DA EMPRESA
As ações mais negociadas da Petrobras, que dão preferência no recebimento de dividendos, subiam 3,40% na B3, a Bolsa de Valores brasileira. A estatal exercia a principal influência positiva sobre o Ibovespa em um dia de baixas generalizadas em praticamente todos os setores do mercado.
Na noite desta quarta (6), o Ministério das Minas e Energia apresentou os nomes de José Mauro Ferreira Coelho para presidir a Petrobras e de Márcio Andrade Weber para comandar o Conselho de Administração da estatal.
Coelho já integra o conselho de uma estatal e passou pelo MME (Ministério de Minas e Energia). Weber faz parte do conselho de administração da própria petroleira.
Os nomes fazem parte de uma solução interna do governo, que não encontrou pessoas da iniciativa privada dispostas a ocupar os postos em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre os preços de combustíveis.
No mercado, a expectativa é que os nomes sejam aprovados pela assembleia da Petrobras na próxima quarta (13), segundo Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.
"Com essas indicações o governo finaliza um período com os dois cargos máximos da companhia vagos. Isso diminui a dose de dúvida e a assimetria que pairavam sobre as ações da companhia nos últimos dias e contribuíam para que elas desempenhassem, às vezes, de forma diferente do movimento internacional do petróleo", comentou Arbetman.

