Nesta quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anuncia se vai ou não reduzir a Selic, hoje em 13,75% ao ano, nível mantido desde a reunião de setembro. A reunião começou nesta terça, e a expectativa predominante entre analistas consultados é de que a taxa fique parada, interrompendo a sequência de cortes que o Banco Central vinha promovendo ao longo do ano.
A pausa ganhou força depois que o dólar subiu com força nos dias seguintes à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encarecendo produtos importados e pressionando a inflação. Economistas apontam que esse choque cambial tende a levar o Banco Central a agir com mais cautela, mesmo em meio a críticas de parlamentares governistas, que consideram os juros atuais excessivos e vêm pressionando por cortes mais rápidos.
Para quem mora em Manaus, a perspectiva de que a Selic continue nas alturas significa que o crédito deve seguir caro por mais tempo: financiamento de carro e moto, cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimo consignado tendem a manter juros elevados, encarecendo o parcelamento de compras essenciais justamente na reta final do ano, período de maior consumo nas famílias.
O impacto se soma à pressão do dólar mais caro sobre a Zona Franca de Manaus, que depende de insumos importados para boa parte da produção industrial, e sobre o preço de eletrônicos, combustíveis e passagens aéreas — item sensível para uma cidade isolada por terra e dependente do transporte aéreo para se conectar ao restante do país.
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