Depois de passar o período da tarde na faixa dos 205 mil pontos, o Ibovespa intensificou as perdas na última hora do pregão e chegou a se aproximar do piso registrado no começo do dia (203.110,43 pontos). A notícia de que o presidente Lula (PT) anunciará tarifa zero no transporte de ônibus urbano aos fins de semana e feriados, somada à maior apreensão do mercado com a divulgação da pesquisa presidencial Datafolha, fez com que os investidores adotassem uma postura ainda mais defensiva.
No fechamento, o índice caiu 1,06%, a 204.324,26 pontos. Na semana, já recua 2,27%. No mês, ainda sobe 9,65% e no ano, 26,81%. O giro no dia foi de R$ 27 bilhões, relativamente menor do que a média das sessões.
A notícia sobre a tarifa zero é mais um elemento de nervosismo para os investidores, dizem analistas, porque representa mais uma renúncia fiscal do governo para tentar ganhar popularidade a 10 dias do segundo turno. Caso isso mude o ponteiro das pesquisas até aqui, que mostram vantagem, ainda que apertada, de Flávio Bolsonaro (PL), isso poderia esfriar o otimismo com o fortalecimento do senador desde o resultado do primeiro turno.
O tema se torna especialmente importante, ainda conforme os analistas, diante de outras medidas anunciadas pelo governo, como o perdão de dívidas dos microempreendedores individuais (MEI) à União, a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 e os reajustes do Bolsa Família. "Em pregão de liquidez baixa e às vésperas de um evento binário como o segundo turno, um 'headline' desses tem efeito amplificado", afirma o trader da mesa de alocação da Nippur, Cândido Piovesan.
O gestor da Venice RC, Cláudio Coppola, destaca que o Datafolha pode endossar a diferença de 2 pontos percentuais de vantagem de Flávio para Lula vista na Quaest divulgada na quarta-feira e que, se o número vier acima disso a favor do atual presidente, a reação do mercado pode ser pior.
"É algo com que o mercado fica preocupado e leva o investidor a reduzir um pouco as posições para ter espaço para ajustes amanhã", diz. "Todo mundo está muito em cima do detalhe porque há um forte viés de que a direita pode ganhar a eleição."
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