Um ex-vereador de Timbé do Sul (SC) chegou à Câmara Municipal com a ajuda de um esquema em que votos eram pagos com cocaína. Segundo a investigação da Polícia Civil catarinense, cada eleitor que enviasse a foto do título recebia o equivalente a R$ 50 — não em espécie, mas em "moeda branca", como o grupo chamava a droga.
O nome do político, Sadi Vieira (PP), veio a público em reportagem especial da GloboNews sobre a infiltração do crime organizado na política.
O caso começou a ser desmontado entre 2021 e 2022, depois que a polícia prendeu um traficante em flagrante. No celular apreendido com ele, os investigadores encontraram conversas que descreviam o acordo sem rodeios: o traficante pedia a foto do título de eleitor e oferecia R$ 50 por voto, quantia quitada em porções de cocaína.
Ouvidos pela Polícia Civil, eleitores confirmaram a versão. Um deles admitiu ter mandado a imagem do documento e recebido a droga antes da votação.
O cruzamento de dados indicou que o então candidato acompanhava o esquema de perto. Mensagens trocadas com o traficante, antes e depois do pleito, mostram os dois ajustando a operação e fazendo a contabilidade dos votos comprados. O g1 tenta contato com a defesa dele.
Para o delegado Lucas Fernandes da Rosa, o caso é inédito em sua trajetória. Em 15 anos de carreira, disse ele, foi a primeira vez que constatou compra de voto paga com cocaína.
Eleito, Sadi Vieira chegou a presidir a Câmara Municipal de Timbé do Sul. A condenação por corrupção eleitoral só veio em 2024, no último mês de seu mandato. A prefeitura informou que não vai se manifestar sobre o caso.


