A população revolta-se com a sucessão de escândalos envolvendo instituições como o Executivo, Legislativo e Judiciário. Resta saber se isso será suficiente para provocar uma verdadeira revolução moral no país e acabar de vez com a cultura da impunidade, que favorece a corrupção.
As eleições desse domingo. já foram um termômetro para medir a indignação popular e informar se a sociedade está conseguindo mudar comportamentos e práticas seculares que fazem das instituições uma espécie de quintal dos interesses privados. Diante do comportamento das autoridades e sobretudo da impunidade, imagina-se que os eleitores vão varrer do mapa os que não honram seus mandatos, aqueles que não se preocupam com valores éticos e morais ou que se valem dos cargos apenas para enriquecimento pessoal.
Segundo o cientista político Norberto Bobbio, o critério segundo o qual se julga uma ação política, baseada em resultados, é diferente daquele para se julgar uma ação moral, baseada no respeito a uma norma categórica.
Os políticos costumam, de fato, preterir a ação moral em favor de uma política dos seus resultados. Uma pesquisa do Instituto Vox Populi concluiu que, para a maior parte dos brasileiros, os políticos são desonestos (91% dos entrevistados), espertos (86%), injustos (88%), irresponsáveis (82%), egoístas (87%), autoritários (70%) e insensíveis com os outros (86%).
O brasileiro não se considera corrupto. O economista Stephen Kanitz também costuma dizer que o Brasil não é mais corrupto do que os outros países, porém é mal auditado. Como se vê, a questão da falta de moral na atividade política decorre menos de um determinismo histórico ou cultural e mais da falta de disposição das elites em fazer com que política e moral caminhem juntas. O banimento dos maus políticos pelas urnas seria um bom começo. Também contribui para o resgate da moral na vida pública e administrativa o trabalho corajoso de jovens procuradores e promotores, que lutam para evitar a impunidade. Mas a situação exige, também, a elaboração de um Código de Ética e Moral.
Flávio Lauria
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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