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Tendo Marcelo e Daniel Alves como maiores expoentes técnicos, os laterais brasileiros podem preencher as quatro posições de titulares na final da Liga dos Campeões de hoje, em Cardiff, às 15h45m (de Brasília, com transmissão da Rede Globo, Band e EI Maxx), entre Real Madrid e Juventus. Será a 13ª final seguida do maior torneio de clubes do mundo em que um dos finalistas tem, no mínimo, um lateral brasileiro no elenco. Mas a tradição é anterior. Desde o fim dos anos 1950, quando o Brasil ditou tendências táticas para o mundo, o lateral brasileiro virou padrão de excelência técnica e ofensividade. Atribuiu novo significado à função. Hoje, Marcelo, Daniel Alves, Danilo e Alex Sandro são os herdeiros em uma linha sucessória que inclui Nílton Santos, o precursor, além de Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Marinho Chagas, Leandro, Júnior, Cafu, Roberto Carlos...

Esta história de pioneirismo tem raízes no fim dos anos 1930, numa sucessão de encontros entre brasileiros e húngaros. À época, era dominante o chamado WM, esquema tático traduzido em números como um 2-3-3-2. Como conta o jornalista inglês Jonathan Wilson, autor do livro “A pirâmide invertida”, que narra a história da tática no futebol, a chegada de Dori Kurschner ao Flamengo, em 1937, trouxe o sistema em voga. Seu substituto no clube, Flávio Costa, iniciaria adaptações que, décadas depois, desembocariam no 4-2-4. Tal processo também ocorria na Hungria que, em 1955, exportaria Bela Guttmann para o São Paulo. Com o 4-2-4, surgiram os laterais. Caberia ao Brasil, na Copa de 1958, apresentar não só o esquema ao mundo, mas também Nílton Santos, o primeiro lateral a se notabilizar pelo poderio ofensivo.

O sistema criava um espaço à frente dos laterais. Em paralelo, ocorria outra mudança, atribuída a mais um brasileiro: Zezé Moreira, que dirigira a seleção na Copa do Mundo de 1954. Ao instituir a marcação por zona, no lugar da individual, dava aos defensores a noção de que poderiam se ausentar de suas posições, que seriam cobertos por companheiros. Afinal, não eram mais obrigados a uma perseguição individual rígida. Estavam criadas as condições para o lateral brasileiro avançar. O Brasil era tendência. A nomenclatura dá o tom das diferentes formas de enxergar a função. Aqui, são chamados de laterais. Na Europa, ainda são os full backs, zagueiros que atuam pelo lado.

— O lado ofensivo e a criatividade atraem os europeus — diz o ex-lateral Júnior. — É incrível a capacidade de evolução. É difícil um cara na idade do Daniel Alves pescar ensinamentos e se superar.

O duelo de Daniel e Marcelo

De fato, o quarteto finalista da Liga dos Campeões esbanja adaptabilidade. São jogadores multifuncionais. Em seus primeiros anos de Europa, Marcelo e Daniel Alves foram vistos com certa reserva, dado o desprendimento com que atacavam. Hoje, Marcelo flutua rumo ao ataque num Real Madrid estruturado para tentar compensar seus avanços. Na balança, o talento pesa mais. Na Itália, Daniel talvez fosse o ápice do contracultural. E se estabeleceu, mas cumpre muitas obrigações sem a bola. Na Juventus, Alex Sandro varia entre ala e lateral. Faz rápida recomposição, por vezes numa linha de quatro defensores, por vezes numa de cinco. A mesma variação que faz Daniel Alves marcar ora na linha de meias, ora na defensiva. Com a bola, é visto armando pelo lado ou buscando o último passe por um corredor mais central. Já Danilo só jogará se Carvajal não estiver recuperado.

— A Juventus não contratou uma estrela. Mas um trabalhador — disse Daniel Alves, que pode ganhar a terceira tríplice coroa da carreira e chegar ao seu 35º título.

Ele vai protagonizar um duelo direto com Marcelo.

— Estamos concentrados em fazer nosso trabalho. Sabemos por que chegamos aqui e o que devemos fazer — disse o ex-lateral do Fluminense.

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